Medicamentos pesquisados principalmente em homens podem ter efeitos diferentes nas mulheres, alerta SIF

SIF alerta que medicamentos testados majoritariamente em homens podem ter eficácia distinta e mais riscos em mulheres; pede inclusão do sexo na pesquisa.

Medicamentos pesquisados principalmente em homens podem ter efeitos diferentes nas mulheres, alerta SIF

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Medicamentos pesquisados principalmente em homens podem ter efeitos diferentes nas mulheres, alerta SIF

Por Alessandro Vittorio Romano — A pesquisa biomédica é muitas vezes como um pomar podado com um único tipo de árvore: produtiva, mas incapaz de refletir a diversidade das colheitas. Um novo Position Paper da Società Italiana di Farmacologia (SIF), publicado no European Journal of Pharmacology, reacende um alerta que deveria ser quase óbvio: medicamentos desenvolvidos e testados majoritariamente em modelos masculinos podem apresentar eficácia distinta ou riscos maiores quando usados por mulheres.

Segundo o documento, apesar de existir há anos um consenso nas diretrizes nacionais e internacionais para que a variável sexo seja considerada de forma sistemática na pesquisa, essa recomendação continua frequentemente desrespeitada. Nos estudos pré-clínicos, é comum o uso de animais estabulados de um único sexo — tipicamente os masculinos — com o argumento de reduzir a variabilidade experimental. Mas essa aparente economia de controles pode semear um desequilíbrio duradouro no conhecimento científico.

O problema reverbera como as marés: fatores biológicos ligados ao sexo influenciam a farmacocinética e a farmacodinâmica — ou seja, como um corpo absorve, distribui e responde a um fármaco. Quando a pesquisa não contempla mulheres ou modelos femininos desde os primeiros estágios, o resultado pode ser terapias menos apropriadas para metade da população e um maior risco de efeitos adversos para quem não foi representado adequadamente nos estudos.

Os autores do Position Paper pedem uma mudança de ritmo — não um corte radical, mas uma readequação sensível das práticas científicas: incluir de forma sistemática ambos os sexos em ensaios pré-clínicos e clínicos, estratificar e reportar resultados por sexo, e promover políticas que incentivem esse equilíbrio. É um convite para que a pesquisa respire com mais amplitude, como uma paisagem que volta a acolher espécies diversas após um verão seco.

Do ponto de vista prático, tratar a variável sexo como elemento central significa melhores decisões terapêuticas na farmácia do dia a dia e menos surpresas desagradáveis no consultório. Para as mulheres, isso representa a possibilidade de tratamentos mais seguros e eficazes; para a ciência, a chance de construir um conhecimento mais fiel à complexidade humana.

Enquanto observador das ligações entre ambiente, corpo e bem-estar, lembro que nossa saúde acompanha os ritmos do mundo ao redor — o tempo interno do corpo se entrelaça com a respiração da cidade, e a qualidade das decisões médicas depende de um solo de evidências mais rico e diversificado. O chamado da SIF não é apenas técnico: é uma recomendação para cultivar pesquisas que respeitem as raízes biológicas da população inteira.

Em síntese, o Position Paper reforça que a inclusão da variável sexo na pesquisa biomédica deixa de ser um detalhe metodológico para se tornar uma questão ética e prática. A medicina que desejamos — sensível, personalizada e eficaz — precisa dessa mudança de estação: transformar a atual paisagem científica para que ela produza frutos verdadeiramente para todos.