Medula óssea do crânio pode estar ligada à dor crônica, diz estudo

Estudo associa medula óssea do crânio à dor crônica; PET e RM mostram TSPO elevada em pacientes com lombalgia e osteoartrite. Novas terapias não invasivas podem surgir.

Medula óssea do crânio pode estar ligada à dor crônica, diz estudo

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Medula óssea do crânio pode estar ligada à dor crônica, diz estudo

ROMA, 03 de setembro de 2026, 10:10 — Redação Espresso Italia

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Uma nova pista sobre a origem da dor crônica surge de um olhar que atravessa o esqueleto até o topo da cabeça: pesquisadores norte-americanos encontraram indícios de que a medula óssea do crânio pode estar envolvida em dores persistentes que vão da lombalgia até a osteoartrite do joelho. O estudo, publicado na revista Science Translational Medicine, foi liderado por Marco Loggia, pesquisador nascido em Milão que dirige o Pain and Neuroinflammation Imaging Laboratory do Massachusetts General Hospital e é professor da Harvard Medical School.

Os autores utilizaram técnicas avançadas de imagem — como a tomografia por emissão de positrões (PET) e a ressonância magnética (RM) — para examinar a atividade do tecido medular craniano em 125 pessoas com diferentes formas de dor crônica: lombalgia persistente e osteoartrite do joelho. Nos exames, foi observada uma maior expressão de uma proteína associada à inflamação neuronal, a TSPO, já usada como marcador de neuroinflamação em estudos do sistema nervoso.

Os resultados sugerem que a resposta inflamatória presente na medula óssea do crânio pode refletir — ou mesmo contribuir para — um estado de dor prolongada em regiões distantes do corpo. Em palavras mais sensíveis: assim como uma árvore pode avisar folhas e raízes de um ataque por meio de sinais internos, o "solo" medular na base do crânio pode estar dialogando com o sistema nervoso, alimentando um ciclo de desconforto que não respeita fronteiras anatômicas.

Loggia comenta que, ao esclarecer o papel dessa pequena "bolha" de tecido ósseo, abre-se a possibilidade de desenvolver tratamentos menos invasivos e mais focalizados. Entre as intervenções mencionadas estão técnicas não invasivas como o uso de ultrassom focalizado ou fotostimulação, que poderiam modular a atividade inflamatória sem recorrer a procedimentos cirúrgicos ou a medicamentos sistêmicos que afetam o organismo inteiro.

Na Itália, estima-se que mais de 10 milhões de adultos convivam com algum tipo de dor crônica, um número que transforma essa descoberta em algo com potencial impacto prático e social. Ainda que sejam necessários estudos adicionais para confirmar causalidade e definir protocolos terapêuticos, a ideia de que a medula craniana participa do mapa da dor abre uma nova janela de intervenção — uma pequena fresta luminosa no inverno de quem sofre com dor constante.

Como observador atento do cotidiano, lembro que nosso "tempo interno" e a sensação de bem-estar estão profundamente enraizados nas conexões entre corpo e ambiente. Pesquisas como esta nos convidam a olhar para dentro com a mesma curiosidade que colocamos nas estações do ano: entender os ciclos, as raízes do mal-estar e buscar intervenções que respeitem o ritmo do corpo.

O estudo reforça a importância da imagem biomédica como forma de leitura sensível do organismo — uma espécie de cartografia das marés internas — e aponta caminhos promissores para que futuras terapias cuidem da dor com precisão e delicadeza.

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