Movimento é vítima e remédio: Limpe destaca exercício como pilar no cuidado ao Parkinson
Tinazzi (Limpe): o movimento é vítima e cura no Parkinson; exercício melhora sintomas motores e não motores. Recomendações e cuidados.
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Movimento é vítima e remédio: Limpe destaca exercício como pilar no cuidado ao Parkinson
Por Alessandro Vittorio Romano — Em ocasião da Giornata mondiale del Parkinson, celebrada em 11 de abril, Michele Tinazzi, presidente da Fondazione Limpe per il Parkinson Ets, reafirma uma certeza que soa quase como um contra‑ritmo poético: o movimento, na doença de Parkinson, é ao mesmo tempo vítima e remédio. É como se a própria respiração da cidade lembrasse que aquilo que se perde pode também ensinar a se recuperar.
Tinazzi comenta a publicação de Sulle tracce di Mr. Parkinson, o primeiro romance noir que expõe fragilidades da doença neurodegenerativa, projeto promovido pela Confederazione Parkinson Italia, com o patrocínio da Fondazione Limpe e apoio não condicionante de Zambon. Lançado para marcar o Dia Mundial do Parkinson, o livro traz à tona debates essenciais sobre diagnóstico, cuidado e qualidade de vida.
“Sabemos hoje que o exercício físico — em muitas enfermidades, e com ainda mais razão quando o sintoma central é o movimento — faz parte integrante do tratamento e deve ser iniciado desde as fases iniciais”, diz Tinazzi. Ao falar do impacto do exercício, ele lembra que os benefícios não se limitam aos aspectos motores: o hábito regular de atividade pode melhorar o humor, os distúrbios do sono, a constipação e o dor. É uma colheita de hábitos que nutre tanto o corpo quanto os ritmos internos da mente.
O presidente da Limpe repete o lema que vem orientando a fundação: “O Parkinson é uma doença do movimento que se trata também com o movimento”. Tinazzi ressalta que, naturalmente, o tratamento farmacológico é central, mas deve caminhar paralelo a um plano de atividade física programada — não apenas ações do dia a dia como subir escadas ou caminhar pela casa.
Entre as recomendações práticas, ele indica o Nordic walking como forma clássica de exercício. Para pacientes com alterações de equilíbrio ou problemas de coluna, a bicicleta de spinning pode ser mais adequada. E, acima de tudo, Tinazzi encoraja a busca por uma atividade prazerosa — seja pedalar, dançar ou outra modalidade — porque o afeto pela rotina é o que a torna sustentável no tempo.
Importante também distinguir reabilitação de exercício: a reabilitação deve ser acionada quando há problemas específicos a tratar — como a instabilidade postural ou o fenômeno do freezing, a sensação de ter os pés “colados” ao chão. Nesses casos, o papel do fisioterapeuta é essencial, mas não significa a interrupção do exercício físico regular.
Ao observar essas recomendações, quem vive com Parkinson pode encontrar, como numa paisagem que lentamente desperta, caminhos para manter a mobilidade e a qualidade de vida. O movimento, mesmo ferido, oferece pistas de cura: basta ouvir suas raízes e deixá‑las crescer com cuidado e constância.