OCDE: diagnósticos de autismo cresceram 2 a 4 vezes em 15 anos — desafio para famílias e serviços
Relatório da OCDE aponta que diagnósticos de autismo aumentaram 2-4x em 15 anos; debate sobre diagnóstico tardio em meninas e necessidade de políticas públicas.
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OCDE: diagnósticos de autismo cresceram 2 a 4 vezes em 15 anos — desafio para famílias e serviços
Por Alessandro Vittorio Romano — A respiração lenta de uma cidade que se transforma nos conta também como muda a saúde coletiva. Um novo relatório da OCDE, intitulado Policy Responses to Rising Autism Diagnoses in Childhood, revela que os diagnósticos de autismo aumentaram de forma expressiva em vários países ao longo dos últimos 15 anos. Em média, as taxas anuais de crescimento ficaram entre 6% e 10%, o que se traduz em um número de casos que mais do que dobrou — e pode ter chegado a quadruplicar — nesse período.
Traduzindo a matemática cotidiana em imagens: se o crescimento anual for de cerca de 6%, ao cabo de 15 anos há um aumento de aproximadamente 2,5 vezes; se for de 10% ao ano, o resultado é perto de 4 vezes mais diagnósticos. Esses números, como uma maré que sobe, foram observados nos países incluídos no estudo — Austrália, Canadá, Dinamarca, Estônia, França, Alemanha, Israel, Países Baixos, Suécia, Reino Unido e Estados Unidos —, mas não abarcam todos os membros da OCDE.
Importa notar que a Itália não figura no conjunto de países analisados pelo relatório. Ainda assim, como me contou Giovanni Marino, presidente da ANGSA (Associação Nacional de Pais de Pessoas com Autismo), “no nosso país também se observa um aumento constante dos casos; dispomos sobretudo de dados estatísticos, e acreditamos que parte do aumento se deva a um acréscimo real de incidência”. É uma observação que ressoa com o pulsar das famílias que buscam diagnóstico e suporte.
O relatório chama atenção para diferenças de gênero na jornada do diagnóstico: meninas podem ser tão afetadas quanto meninos, mas frequentemente recebem o diagnóstico mais tarde. É como se o rosto do autismo se vestisse de diferentes estações e só em alguns casos fosse reconhecido com a mesma nitidez.
Além da constatação dos números, a análise da OCDE aponta para a necessidade de respostas políticas e de saúde pública: ampliação da vigilância epidemiológica, programas de identificação precoce, formação de profissionais, ampliação da oferta de intervenções e apoio às famílias. Em outras palavras, é preciso cultivar um terreno fértil para que o diagnóstico e o acompanhamento não cheguem tarde, deixando frutos por colher.
Das salas de espera às escolas, a crescente demanda por serviços exige uma colheita organizada de recursos: equipas treinadas, caminhos claros para o diagnóstico, terapias acessíveis e políticas que integrem saúde, educação e assistência social. O tempo interno do corpo e o tempo social precisam conversar — para que a resposta chegue quando mais faz diferença.
Para quem vive a experiência próxima, o aumento dos números é ao mesmo tempo um sinal de alerta e uma oportunidade. Alerta porque revela pressões sobre sistemas de cuidado; oportunidade porque o reconhecimento mais amplo pode estimular investimentos em detecção precoce e inclusão. Como observador sensível do cotidiano, vejo nessa evolução um chamado para que a sociedade trate o autismo com a mesma atenção que dedica às estações: antecipando-se, cuidando do solo e protegendo as raízes do bem-estar.
Enquanto as políticas se organizam, resta às famílias e comunidades buscar informação, redes de apoio e profissionais qualificados. E ao jornalismo — e a nós, como leitores e habitantes do mesmo território —, cabe acompanhar com empatia e rigor essa transformação, para que ela se converta em serviços mais eficazes e em dias mais serenos para quem precisa.