Ondas de calor e insulino‑resistência: proteger o metabolismo é essencial neste verão, diz Prof. Gasbarrini

Ondas de calor podem agravar a insulino‑resistência; Prof. Gasbarrini orienta alimentação, hidratação e cuidados para proteger o metabolismo no verão.

Ondas de calor e insulino‑resistência: proteger o metabolismo é essencial neste verão, diz Prof. Gasbarrini

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Ondas de calor e insulino‑resistência: proteger o metabolismo é essencial neste verão, diz Prof. Gasbarrini

Por Alessandro Vittorio Romano — Em meio à respiração quente da cidade, as recentes ondas de calor não ameaçam apenas o coração e a hidratação imediata; elas desenham pequenas rachaduras no tempo interno do corpo, afetando o metabolismo, o controle da glicemia e até o apetite. É o alerta do Prof. Giovanni Gasbarrini, Professore Emerito di Medicina Interna alla Università Cattolica del Sacro Cuore, que nos lembra como o calor prolongado exige uma colheita consciente de hábitos.

Segundo Gasbarrini, temperaturas elevadas podem agravar condições já frágeis em idosos e em pessoas com obesidade, diabetes, prediabetes, síndrome metabólica ou insulino‑resistência. A prevenção, afirma, permanece a ferramenta mais poderosa: uma combinação de hidratação correta, alimentação equilibrada, atividade física adaptada ao clima, sono de qualidade e monitorização clínica simples pode reduzir o risco de descompensação metabólica e preservar a saúde a longo prazo.

O especialista chama a atenção para um dado preocupante: hoje mais de um adulto em três apresenta alguma forma de insulino‑resistência. Trata‑se de um processo em que músculo, fígado e tecido adiposo tornam‑se progressivamente menos sensíveis à insulina. No início, o pâncreas compensa produzindo mais hormônio, mas com o tempo essa resposta falha e surgem alterações da glicemia, acúmulo de gordura visceral, aumento de triglicerídeos, esteatose hepática e, eventualmente, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Importante é entender que a insulino‑resistência não é apenas um problema do açúcar: é uma condição sistêmica marcada por inflamação crônica de baixo grau, alterações no metabolismo lipídico, disfunção do tecido adiposo e um diálogo perturbado entre intestino, microbiota, fígado e sistema endócrino. Em linguagem de quem observa a paisagem humana, é como quando o solo perde nutrientes: toda a plantação sente.

Durante o verão, o Prof. Gasbarrini recomenda uma dieta inspirada na dieta mediterrânea: alimentos frescos, pouco processados e de alta densidade nutricional. Frutas e verduras da estação oferecem água, fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos; cereais integrais, leguminosas, peixes, azeite extravirgem e proteínas magras são escolhas que protegem o metabolismo. Deve‑se limitar alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares simples, gorduras saturadas e sódio. Refeições em porções moderadas, distribuídas ao longo do dia, ajudam a manter o ritmo metabólico sem sobrecarregar o organismo nas horas de calor.

Hidratar‑se ao longo do dia, preferir água e bebidas isotônicas leves quando necessário, reduzir álcool e evitar excessos de cafeína são orientações práticas. Adaptar o exercício físico às horas mais frescas — amanhecer e entardecer —, usar roupas leves, buscar sombra e ambientes climatizados quando a cidade parece suspirar em ondas de calor, são medidas simples com grande efeito. Para quem já é acompanhado por diabetes ou uso de medicação, é fundamental o monitoramento da glicemia e o ajuste terapêutico com o clínico de referência.

Gasbarrini aponta também a possibilidade de intervenção farmacológica e nutricional: substâncias que moderam o apetite e reduzem a absorção de gorduras animais podem ter papel na proteção metabólica. A grande tarefa, segundo ele, será integrar a medicina do clima com a medicina preventiva, reconhecendo que fatores ambientais e saúde metabólica caminham cada vez mais entrelaçados.

Na prática cotidiana, viver o verão com saúde é como acompanhar o ritmo de uma vinha: respeitar os ciclos, regar com cuidado, escolher bem as sementes. Pequenas escolhas — água, prato colorido, caminhada em horário fresco, sono reparador — são as raízes do bem‑estar. Proteger o metabolismo nas estações quentes é, por fim, proteger a nossa colheita de hábitos para o ano todo.

Giovanni Gasbarrini, Professore Emerito di Medicina Interna, Universidade Cattolica del Sacro Cuore