País de residência determina risco de câncer na Europa, aponta estudo
Estudo revela que o país de residência altera o risco de câncer na Europa; cervical e pulmão mostram desigualdades e 29.412 casos evitáveis em 2024.
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País de residência determina risco de câncer na Europa, aponta estudo
Por Alessandro Vittorio Romano — Uma paisagem não é igual em todas as margens da mesma planície; assim também, na Europa, o lugar onde vivemos molda silenciosamente o nosso risco de tumor. Um novo estudo apresentado no Congresso ESMO 2026, em Madrid, revela que o país de residência influencia de forma relevante a ocorrência de câncer, especialmente quando se trata do câncer do colo do útero e do câncer de pulmão.
Intitulado "Impact of cancer inequalities in Europe on preventable cancers: focus on cervical and lung cancer", o trabalho, apresentado pelo epidemiologista Diego Serraino — consultor da Alleanza contro il cancro — utilizou as estimativas de 2024 do European Cancer Information System. A análise confrontou as taxas de incidência nos 27 Estados-membros com as médias europeias e calculou, para cada país cujo índice supera a média comunitária, o número de casos em excesso.
Os resultados desenham um mapa de contrastes fortes: para o câncer do colo do útero, a incidência na Romênia é mais de sete vezes a observada em Malta; já no caso do câncer de pulmão entre mulheres, a Dinamarca apresenta taxa superior a mais de quatro vezes a da Lituânia. No total, em 2024 as desigualdades se traduzem em cerca de 29.412 casos estimados em excesso nos países da UE que estão acima da média comunitária.
O estudo aponta também números expressivos para o câncer de pulmão entre homens: são aproximadamente 199 mil novos casos, com uma incidência média de 89 por 100 mil habitantes. As variações nacionais são grandes — de 38 por 100 mil na Suécia a 130 por 100 mil na Hungria — lembrando que o olhar geográfico sobre a doença é tão decisivo quanto os hábitos individuais.
Essas diferenças não caem do céu: refletem políticas de prevenção, programas organizados de rastreamento, cobertura da vacinação contra HPV, padrões de tabagismo e desigualdades no acesso a serviços de saúde. Em outras palavras, muitos desses tumores são, em grande parte, cânceres preveníveis, e as disparidades são a sombra que revela onde as raízes da prevenção ainda são frágeis.
Como observador atento das rotinas que moldam o bem-estar, prefiro pensar nesses indicadores como o termômetro de uma paisagem humana: quando uma região não cultiva políticas públicas de prevenção, a doença cresce como erva daninha numa terra mal cuidada. A mensagem que fica é clara — reduzir essas desigualdades exige harmonizar estratégias de vacinação, rastreamento e controle do tabagismo, assim como fortalecer o acesso equitativo à atenção primária.
Apresentado em um evento da Sociedade Europeia de Oncologia Médica, o estudo serve como chamado para que governos e comunidades enfrentem essas assimetrias com políticas que façam brotar, em vez de apagar, possibilidades de vida saudável. No ciclo das estações da saúde europeia, cuidar das raízes hoje significa colher menos doença amanhã.
Nota: dados e conclusões baseiam-se nas estimativas de 2024 do European Cancer Information System e na análise apresentada por Diego Serraino no ESMO 2026.

