Parkinson: dança e convívio são aliados essenciais, diz paciente Simona Salamina
Simona Salamina conta como dança e convívio, aliados à terapia, ajudam a enfrentar o Parkinson. Movimento e socialização são fundamentais.
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Parkinson: dança e convívio são aliados essenciais, diz paciente Simona Salamina
Por Alessandro Vittorio Romano — Em um relato que mistura memória, luta e pequenas vitórias, Simona Salamina descreve como o Parkinson entrou em sua vida de forma discreta, quase como uma sombra que se apoia no ombro. “Mr Parkinson, no meu caso, começou pela spalla destra, limitando e enlentecendo os movimentos. Depois tocou a perna, e eu comecei a arrastá‑la”, conta. Há nelas um tom de noir — um primeiro capítulo do livro de signos que a doença vai escrevendo — e, junto, a convicção de que o cuidado diário pode ser um reflorescer.
O depoimento faz parte de Sulle tracce di Mr. Parkinson, o primeiro conto noir que expõe as fragilidades da doença neurodegenerativa, promovido pela Confederazione Parkinson Italia, com o patrocínio da Fondazione LIMPE per il Parkinson ETS e apoio não condicionante da Zambon. O material foi divulgado por ocasião do Dia Mundial do Parkinson, celebrado em 11 de abril, e está disponível no site da confederação.
Após dois anos até a confirmação diagnóstica, Simona decidiu não ceder ao tempo que a doença impõe. “Assim que entendi o que estava acontecendo, eu me ativei. Médicos — fisiatras e especialistas — me disseram claramente que o movimento seria fundamental”. É uma advertência simples e profunda: os medicamentos ajudam a controlar sintomas, mas sem o movimento o corpo se acomoda. No relato, ela reforça que nunca teve tremor, sintoma que muitos associam imediatamente ao Parkinson. Em vez disso, sofreu com lentidão nos movimentos e rigidez, episódios de bloqueio em que até levantar um braço parecia exigir uma colheita de forças.
Foi essa urgência pela ação que a levou a se matricular em uma escola de dança. No começo, o desafio era quase físico como atravessar um inverno: perda de equilíbrio, coordenação instável, passos que pareciam se esquecer do ritmo. Mas a dança se transformou numa prática de recuperação — uma espécie de respiração para o corpo e para a mente. “Tudo o que eu tinha perdido, eu procurava reconquistar”, diz ela. E quando a vontade vacilou, foram as companhias e os profissionais que a ampararam.
O recado de Simona é claro e humano: a terapia farmacológica e o movimento são pilares complementares. Sozinhos, não bastam; juntos, sustentam a qualidade de vida. E há um terceiro elemento, menos técnico, mas igualmente vital — o convívio. “Ficar com outras pessoas é fundamental: não se isolar”, aconselha. A socialização funciona como fertilizante para a coragem cotidiana, tornando a jornada menos solitária e mais ritmada.
Como um observador das interações entre ambiente e bem‑estar, vejo neste relato a imagem de uma paisagem que renasce aos poucos: passos de dança que reativam o tempo interno do corpo, a respiração da cidade que devolve coragem, e as raízes do bem‑estar fincando‑se no encontro. O testemunho de Simona não é só informativo — é um convite sensorial e prático: mova-se, trate‑se, e permaneça entre outros. É na troca e no movimento que se encontra a melhor defesa contra a progressão silenciosa do Parkinson.