“Um ladrão invisível”: paciente descreve como o Parkinson rouba o movimento

Paciente compara o Parkinson a um ladrão que rouba o movimento; relato destaca papel do exercício e campanha na Giornata mondiale del Parkinson.

“Um ladrão invisível”: paciente descreve como o Parkinson rouba o movimento

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“Um ladrão invisível”: paciente descreve como o Parkinson rouba o movimento

O diagnóstico chegou como uma presença furtiva: “O Parkinson entrou na minha vida em modo subdolo, como um ladrão de apartamentos, sem se mostrar”. É a imagem forte que Simona Salamina usa para descrever os primeiros sinais da doença, relatados em testemunho divulgado por ocasião da Giornata mondiale del Parkinson, em 11 de abril.

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Segundo Simona, os sinais começaram discretos, quase como uma respiração diferente do corpo: primeiro “se apoiou” no ombro direito, limitando os gestos; depois passou para a perna direita, que ela começou a arrastar. Foram cerca de dois anos de busca por uma resposta, um tempo em que o corpo pediu atalhos e explicações até que o diagnóstico ficasse claro.

Além das terapias prescritas, Simona conta que não esperou: ativou-se com o exercício físico orientado por fisioterapeutas e fisiatras, movida pela convicção de que o movimento é um pilar do cuidado. “O movimento é importante”, repete, como quem encontra nas rotinas de alongamento e nos passos controlados um antídoto para o silêncio progressivo dos músculos.

O depoimento de Simona é um dos três colhidos para o texto noir Sulle tracce di Mr Parkinson, promovido pela Confederazione Parkinson Italia, com o patrocínio da Fondazione Limpe per il Parkinson Ets e apoio não condicionante da farmacêutica Zambon. O material foi publicado em torno da data dedicada à conscientização global sobre a doença.

Enquanto observador e amante das pequenas paisagens cotidianas, percebo nessa história algo que vai além do relato clínico: há uma perda de tempo íntimo, um descompasso entre o relógio do corpo e o ritmo que desejamos manter. Chamo isso de “o tempo interno do corpo” que se altera, como uma estação que muda antes de avisar. Nesse cenário, a atividade física não é só tratamento, mas também resistência — uma colheita de hábitos que ajuda a preservar autonomia, equilíbrio e dignidade.

Testemunhos como o de Simona oferecem duas lições sensíveis. A primeira: reconhecer sintomas cedo evita caminhadas longas e incertas até uma resposta. A segunda: integrar cuidados clínicos e práticas de movimento é cultivar raízes de bem-estar que sustentam a vida cotidiana.

Para quem vive com Parkinson, para familiares e para quem observa, há também um convite poético-prático: ouvir a respiração da cidade, transformar pequenas rotinas em rituais de cuidado e buscar, junto a terapeutas, caminhos para devolver ao corpo parte do que foi levado. Como um jardineiro que conhece a estação, aprendemos a plantar gestos que resistem ao tempo.

Este relato chega como lembrete: o Parkinson pode entrar sem aviso, mas a comunidade, a terapia e o movimento atento são cercas que podemos erguer para reduzir sua sombra.

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