Pediatria quer estender acompanhamento aos adolescentes até os 18 anos, diz FIMP

FIMP propõe estender a pediatria de família até os 18 anos para garantir continuidade assistencial e melhor proteção à saúde dos adolescentes.

Pediatria quer estender acompanhamento aos adolescentes até os 18 anos, diz FIMP

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Pediatria quer estender acompanhamento aos adolescentes até os 18 anos, diz FIMP

ROMA, 26 de março de 2026 — Em uma intervenção marcada por sensibilidade e urgência no 52.º Congresso Nacional da FIMP, em curso em Roma até domingo, Antonio D'Avino, presidente nacional da FIMP (Federação Italiana de Médicos Pediatras), defendeu a ampliação da faixa de atuação da pediatria de família até os 18 anos. Para D'Avino, estender esse cuidado abriria novas e importantes perspectivas para a proteção do bem-estar dos jovens e de suas famílias.

“A adolescência é uma etapa de passagem complexa, onde se concentram vulnerabilidades biológicas, psicológicas e sociais”, afirmou o presidente, lembrando que é justamente nessa “terra de meio” que surgem fragilidades emocionais, dificuldades de identidade e comportamentos de risco. O dirigente destacou que, hoje, a transição para a medicina do adulto costuma ser desorganizada, levando a descontinuidades assistenciais e ao abandono de trajetórias de cuidado.

Na fala no congresso, D'Avino ressaltou que o pediatra de família é muitas vezes o profissional mais indicado para acompanhar esse percurso: conhece o jovem desde a infância, consegue identificar precocemente sinais de sofrimento e pode acompanhar o crescimento também no plano educativo e relacional. Em um momento em que os padrões de saúde juvenil mudam — com aumento de quadros como transtornos do humor, ansiedade, dificuldades de comportamento, distúrbios alimentares e consumo de substâncias —, a continuidade do vínculo terapêutico assume maior importância.

Ampliar a atuação pediátrica até os 18 anos implicaria, segundo especialistas reunidos no evento, ajustes organizativos e investimentos em formação, recursos territoriais e integração com serviços escolares e comunitários. Trata-se de costurar uma rede que mantenha a continuidade assistencial, minimizando o risco de que o jovem se perca nas trocas entre sistemas de atenção.

Enquanto discutimos essa proposta, é útil lembrar que a saúde de um adolescente não se resume a exames e receitas: envolve a respiração social da escola, o ritmo dos relacionamentos, a colheita de hábitos familiares. O pediatra que acompanha até a maioridade pode atuar como um jardineiro atento — percebe ervas daninhas na raiz e incentiva brotos saudáveis antes que o inverno se instale na mente.

As propostas trazidas ao congresso incluem também modelos de transição graduada, protocolos compartilhados com a medicina do adulto e maior presença de psicologia e serviços de proteção territorial. A discussão nacional na FIMP pretende agora levar o tema às instituições competentes, buscando soluções que garantam, de fato, a proteção e a continuidade do cuidado aos jovens.

Em suma, estender a competência da pediatria de família até os 18 anos é mais que uma mudança administrativa: é reconhecer que o processo de crescer pede tempo, escuta e redes que não deixem o adolescente solto entre mundos. A proposta apresentada em Roma desenha um caminho para que a assistência acompanhe o ritmo dos jovens, respeitando suas fragilidades e fortalecendo suas raízes de bem-estar.