Pesquisa clínica na Itália: investir em novas tecnologias e simplificação normativa para recuperar competitividade
Indústria farmacêutica italiana: investir em inteligência artificial, digitalização e simplificação normativa para tornar a pesquisa clínica mais competitiva.
RESUMO ✦
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Pesquisa clínica na Itália: investir em novas tecnologias e simplificação normativa para recuperar competitividade
Como observador atento das marés que movem o bem-estar coletivo, acompanhei os números que abrem o 65º Simpósio da Associazione Farmaceutici dell’Industria (AFI) e que desenham um retrato vigoroso, porém desafiado, da indústria italiana. Com uma produção estimada em 74 bilhões de euros em 2025 e um export que supera os 69 bilhões, o setor farmacêutico italiano reafirma seu papel de liderança na União Europeia e se posiciona como o quarto polo mundial. Esses valores, que impulsionam o Made in Italy com um crescimento das exportações de +28,5% em 2025, convivem com a urgência de uma transformação estratégica.
O encontro de três dias tem o objetivo de capitalizar essa liderança produtiva — que também se reflete numa mão de obra qualificada acima de 72.000 empregos — sem ignorar os pontos de fragilidade. Em minha leitura, a Itália precisa acelerar a sua jornada digital e tornar a pesquisa clínica mais atraente para investimentos, reduzindo o peso da burocracia que hoje trava o ritmo das descobertas.
Giorgio Bruno, presidente da AFI, lembrou que as novas tecnologias, especialmente a inteligência artificial, estão mudando profundamente o cotidiano dos pesquisadores clínicos. Segundo ele, essas ferramentas permitem uma gestão mais eficiente dos dados, maior capacidade preditiva no desenho dos estudos e uma redução significativa nos tempos de análise e desenvolvimento. É uma espécie de vento novo que sopra sobre o trabalho científico, acelerando colheitas e abrindo trilhas antes inalcançáveis.
Bruno destacou ainda a necessidade de olhar para as melhores práticas internacionais — como as observadas nos Estados Unidos, no Reino Unido e em algumas áreas da Ásia — onde a integração entre pesquisa, regulação e inovação digital encontra-se mais consolidada. Nesse cenário competitivo, a Itália é chamada a reforçar sua atratividade por meio da simplificação normativa e da digitalização dos processos, aproveitando a crescente capacidade do tecido industrial nacional de absorver inovações, mas sem perder tempo para alinhar-se aos grandes concorrentes globais.
A professora Paola Minghetti, vice-presidente da AFI, sublinhou que o panorama da pesquisa clínica na Itália é marcado por alta qualidade científica e grande potencial, mas também por limitações estruturais que comprometem a competitividade internacional. Persistem a fragmentação dos sistemas de saúde, a desigualdade digital entre territórios e tempos de autorização excessivamente longos, que atrasam o início dos estudos e reduzem a atratividade do país para investimentos em P&D.
Minghetti acrescentou que a gestão dos dados de saúde ainda não alcançou a plena interoperabilidade e que a adoção de novas tecnologias, incluindo a IA, é desigual e por vezes contida por interpretações incertas. No plano regulatório, apontou-se como urgentes reformas que promovam a harmonização e a simplificação das procedimentos de ensaio clínico, com prazos claros e menos duplicações entre níveis nacional e regional. Também é vital articular de forma coerente o quadro entre o AI Act e o Espaço Europeu de Dados de Saúde, definindo regras transparentes, proporcionais ao risco e aplicáveis para o uso da IA e dos dados em pesquisa.
Ao fim do dia, penso que a Itália tem solos férteis — conhecimento científico, indústria robusta, tradição —, mas precisa irrigá-los com menos burocracia e mais tecnologia para que a colheita de inovação floresça. O desafio é combinar regras claras, infraestrutura digital e coragem para abraçar mudanças, preservando ao mesmo tempo a segurança e a ética que regem a pesquisa de saúde. Assim a respiração da cidade científica italiana poderá sincronizar-se com os ritmos globais e transformar potencial em impacto real para a sociedade.