Plano pandêmico 2025-2029: reedição formal do velho roteiro repressivo

O plano pandêmico 2025-2029 repete práticas repressivas do passado; é preciso equilíbrio entre proteção coletiva e confiança cidadã.

Plano pandêmico 2025-2029: reedição formal do velho roteiro repressivo

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Plano pandêmico 2025-2029: reedição formal do velho roteiro repressivo

Por Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia

A publicação do plano pandêmico 2025-2029 provoca a mesma sensação que um outono precoce em uma primavera tardia: a paisagem muda sem que tenhamos pedido. Não há dúvida de que um plano atualizado é necessário — é o solo onde se planta a segurança coletiva —, mas o que nos foi entregue pelo governo cheira a reprise. O documento, licenciado nos corredores do poder, representa uma reedição, formalmente retocada, do antigo roteiro que muitos lembram como excessivamente punitivo.

O movimento de continuidade é palpável: um ministro da Saúde escolhido por quem ocupou a cadeira antes, o consenso tácito do Palácio e a manutenção de uma matriz de intervenção que tem como verbo central: vacinar, fechar, constranger, isolar. É a mesma partitura, tocada com instrumentos novos, mas com a mesma melodia autoritária. E quando um governo que se define como de direita recusa rupturas e replica hábitos de controle, resta a suspeita de que a lógica que orienta o plano não é apenas técnica, mas também política.

A crítica não é contra medidas de saúde pública em si — fechar portas quando um incêndio alheio avança é prudente —, mas contra a tendência a confundir precaução com paternalismo coercitivo. A narrativa do medo que justifica todo excesso: a pandemia como catástrofe total, o indivíduo como risco a ser suspenso do convívio. O resultado? Instrumentos legais que substituem decisões flexíveis, obrigações sanitárias impostas com o peso da exclusão social e uma visão reduzida da cidadania.

Em cinco anos acumulamos experiências, dados e dúvidas, a colheita (nem sempre farta) de uma temporada dura. Ignorar essas lições e não incorporar revisões críticas é como plantar na mesma terra, ano após ano, esperando uma colheita diferente. O novo plano, contudo, parece alheio aos sinais que a prática mostrou: efeitos colaterais das políticas de larga escala, custos sociais do isolamento prolongado, e a necessidade de maior confiança nos cidadãos como parte ativa da resposta.

Há quem defenda que medidas firmes são indispensáveis diante de um surto massivo. Concordo: precisamos de redes de proteção. Mas a diferença entre rede e jaula está nas malhas e na respirabilidade. Uma política que privilegia normas rígidas — vacinas obrigatórias com ameaça de exclusão, máscaras em regime punitivo, limitação de movimentos como primeira alternativa — tende a sufocar a autonomia e a empatia social. E a saúde pública verdadeira nasce do equilíbrio entre proteção coletiva e respeito à liberdade individual.

O plano oficial também revela um problema de linguagem e de tom: troca a persuasão pela imposição, o diálogo pela norma escrita. Em vez de construir confiança — essa raiz invisível que sustenta práticas saudáveis —, prefere atarlhar o cidadão em uma série de proibições. É como se a administração tivesse medo de deixar pequenas frestas de responsabilidade popular; prefere legislar a vida cotidiana do que cultivar capacidade comunitária.

Do ponto de vista sensorial, vejo essa política como uma estação que antecipa o inverno: apressa janelas fechadas e aquece fogões, mas esquece as sementes que precisam de sol. Nosso caminho seria outro: um plano que inclua medidas claras, transparência, apoio social e flexibilidade, que aprenda com os cinco anos de experiência e que trate o público como parceiro, não como alvo.

Por fim, se a intenção do governo era demonstrar prudência formal, corre-se o risco de cair na armadilha oposta: a continuidade do mesmo esquema que muitos julgam ter sido falho. A lição que gostaria de ver escrita em letras grandes no novo roteiro é simples e natural como a respiração da cidade: preparar-se com ciência, governar com humildade e confiar na responsabilidade coletiva.