Pronto-socorro em tensão: férias aumentam a falta de até 7 mil médicos na Itália
Pronto-socorro em tensão: no pico de agosto faltam até 7 mil médicos na Itália; turnos duplos e aposentados preenchem lacunas temporárias.
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Pronto-socorro em tensão: férias aumentam a falta de até 7 mil médicos na Itália
Como quem percebe a respiração de uma cidade nas manhãs de agosto, observo que o sistema de emergência italiano vive um momento de aperto: nos Pronto-socorro as filas se alongam e a pressão sobre as equipes cresce exatamente quando muitos profissionais tiram férias. Segundo dados da Sociedade Italiana de Medicina de Emergência e Urgência (Simeu) atualizados em 2026, a falta de médicos nos serviços de urgência torna-se particularmente aguda nas semanas centrais de agosto, quando o déficit se aproxima de 7 mil profissionais.
Alessandro Riccardi, presidente da Simeu, explica que, em termos estruturais, a lacuna média é de cerca de 5 mil médicos do setor de emergência e urgência. "Com as férias de verão sobrepostas a um sistema já em sofrimento, o número sobe para cerca de 6 mil e, no pico de agosto, chega a rondar os 7 mil", diz Riccardi. A fotografia que emerge é a de plantões remendados com soluções urgentes: contratação de gettonisti, retorno de aposentados e profissionais adiando suas férias.
O cenário para os enfermeiros não é menos inquietante. Para cobrir a carência de equipes, muitos optam por turnos duplos e por abrir mão de dias de descanso. Pierino Di Silverio, secretário do sindicato médico hospitalar Anaao Assomed, chama atenção para o peso das férias justamente onde o sistema já apresenta buracos de mão-de-obra: a combinação de aumento de atendimentos e redução de pessoal cria uma maré de esforço extra sobre quem fica.
Dados da Simeu apontam que em 70% dos Pronto-socorro as carências oscilam entre 25% e 70% dos médicos previstos. Em termos práticos, isto significa maiores tempos de espera, equipes sobrecarregadas e, em muitos casos, a necessidade de reorganizar turnos e rotinas para manter a assistência. Enquanto isso, os acessos aos serviços de emergência aumentam — como se a cidade, no seu calor estival, exigisse mais cuidados e encontrasse menos mão para prestar atenção.
Do ponto de vista humano, a situação lembra uma colheita de hábitos que foi adiada: a fragilidade estrutural do sistema, vista ao longo do ano, ganha feições mais severas no verão. As receitas temporárias - contratação por plantões, aposentados revertendo a aposentadoria, e férias canceladas - resolvem fragmentos, mas não substituem políticas de longo prazo para formação, retenção e distribuição de profissionais.
Enquanto a paisagem do cotidiano muda com as estações, a saúde pública exige um olhar que vá além do remendo de verão. É preciso cultivar soluções duradouras para que, mesmo nos picos de calor e movimento, o Pronto-socorro respire com mais tranquilidade e os profissionais reencontrem raízes de bem-estar que sustentem o trabalho.
Por Alessandro Vittorio Romano, para Espresso Italia.