Novo protocolo de triagem para a próstata reduz em metade as biópsias sem perder detecção de tumores graves

Estudo PROscreenMRI reduz em 63% as biópsias evitáveis na triagem da próstata; integra PSA, ressonância multiparamétrica e calculadores de risco.

Novo protocolo de triagem para a próstata reduz em metade as biópsias sem perder detecção de tumores graves

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Novo protocolo de triagem para a próstata reduz em metade as biópsias sem perder detecção de tumores graves

Na Itália, o câncer de próstata permanece como a neoplasia mais comum entre os homens, com cerca de 41 mil novos casos por ano. Apesar dessa frequência, ainda não existe um programa nacional de screening organizado, como ocorre para mama, cólon e colo do útero. Para semear uma nova abordagem, nasceu o estudo-piloto PROscreenMRI, iniciativa promovida pelo Istituto di Candiolo IRCCS, pelo Centro di Riferimento per l'Epidemiologia e la Prevenzione Oncologica (CPO) do Piemonte e pela AOU San Luigi Gonzaga, em colaboração com a ASL TO5.

Financiado pela Fondazione Piemontese per la Ricerca sul Cancro via 5x1000 e pelo Ministério da Saúde (Fondi ricerca Corrente), o projeto busca avaliar um modelo de diagnóstico precoce mais eficaz, apropriado e sustentável. O foco são homens entre 55 e 65 anos residentes na área da ASL TO5, que foram identificados e convidados a participar pela Unidade de Valutazione e Organizzazione Screening.

O percurso proposto altera a tradição: após a medida do PSA, homens com valores acima dos parâmetros de referência são encaminhados automaticamente a uma fase de aprofundamento que integra a ressonância magnética multiparamétrica e calculadores de risco disponíveis no Istituto di Candiolo IRCCS. É como afinar o ouvido antes de cortar: em vez de responder apenas ao ruído do PSA, o protocolo procura entender o contexto — a respiração do tecido, a paisagem interna do corpo — para decidir se uma intervenção invasiva é realmente necessária.

Os dados preliminares, coletados entre fevereiro de 2025 e março de 2026, já oferecem sinais promissores. Entre mais de 11 mil homens convidados, o protocolo permitiu uma seleção mais precisa dos candidatos a procedimentos invasivos. Dos 146 participantes que completaram todo o percurso diagnóstico, 63% foram orientados para simples follow-up, evitando biópsias que teriam sido realizadas segundo protocolos tradicionais baseados somente no PSA. Ao mesmo tempo, o sistema mostrou alta precisão na identificação de tumores clinicamente significativos, equilibrando redução de intervenções desnecessárias e manutenção da segurança diagnóstica.

"Este estudo representa um passo fundamental rumo à construção de um programa organizado de screening para o câncer de próstata", afirma Vittoria Grammatico, responsável pela Unidade Valutazione e Organizzazione Screening da ASL TO5. "Queremos avaliar não só a eficácia clínica do percurso, mas também sua integração nos programas de saúde pública, garantindo equidade de acesso e qualidade da oferta aos cidadãos".

O Istituto di Candiolo IRCCS também colocou suas competências e tecnologias a serviço do projeto. Em palavras da instituição, o objetivo é codificar um método diagnóstico moderno, racional e eficaz, que possa fazer parte da colheita de boas práticas da saúde pública — uma colheita que respeita o ritmo natural do corpo e evita intervenções desnecessárias.

Como observador atento das estações da vida, vejo neste avanço uma espécie de poda bem feita: aparar o excesso sem comprometer o vigor da árvore. Reduzir as biópsias desnecessárias significa menos ansiedade, menos riscos e um uso mais sábio dos recursos, enquanto mantemos a vigilância sobre aquilo que realmente importa. O próximo passo será testar a integração deste percurso em larga escala, preservando a equidade e a qualidade do cuidado em toda a população masculina.