Quase metade dos italianos é afetada por celiaquia, alergias ou intolerâncias alimentares
Quase metade dos italianos lida com celiaquia, alergias ou intolerâncias; especialistas pedem estratégias integradas para prevenção, diagnóstico e segurança alimentar.
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Quase metade dos italianos é afetada por celiaquia, alergias ou intolerâncias alimentares
Roma — Em um momento em que a relação entre alimento e bem-estar ocupa lugar central na vida cotidiana, surge a necessidade de uma resposta pública coordenada. No encontro "Celiachia, intolleranza al lattosio e allergie alimentari: un approccio integrato per la salute pubblica", realizado hoje em Roma, no Palazzo Giustiniani (Senato della Repubblica), especialistas, parlamentares e representantes de pacientes debateram como transformar evidência e políticas em práticas que alcancem todas as regiões do país. O evento acontece na véspera da Giornata Mondiale della Celiachia, celebrada em 16 de maio, e é promovido pelo Intergruppo Parlamentare Celiachia, Allergie Alimentari, Lattosio e AFMS, com parceria editorial da rivista Italian Health Policy Brief.
Como observador atento das rotinas que moldam a saúde, percebo que a mesa não tratou apenas de leis e números, mas também da respiração humana em contato com a paisagem alimentar. A senadora Elena Murelli, presidente do Intergruppo, definiu o encontro como "uma oportunidade necessária de confronto entre Parlamento, istituzioni sanitarie, comunità scientifica, associazioni di pazienti e stakeholder del settore alimentare". O objetivo apontado é claro: buscar políticas que fortaleçam a prevenção, o diagnóstico precoce, a apropriada gestão clínica, a segurança alimentar e a uniformidade dos serviços em todo o território nacional, garantindo assim equidade e inclusão social.
Os dados apresentados pintam uma paisagem complexa. As diagnósticos de celiaquia somam 265.102 casos, com mais de 13 mil novas identificações somente em 2023; ao mesmo tempo, calcula-se que entre 300 e 400 mil pessoas ainda estejam sem diagnóstico — uma sombra que revela a urgência de rastreios eficazes. A doença afeta aproximadamente 1% da população.
As alergias alimentares mostram tendência de aumento e preocupam pela gravidade possível das reações: segundo o Ministério da Saúde e o Instituto Superiore di Sanità, atingem cerca de 3% dos adultos e até 5% das crianças, com quadros que, em casos extremos, podem evoluir para choque anafilático.
Já a intolerância ao lactose é amplamente disseminada nas áreas mediterrâneas e na Itália, afetando entre 40% e 50% da população, com prevalência maior nas regiões do sul. É uma condição que, embora muitas vezes subestimada, tem impacto real na alimentação diária e na sensação de bem-estar — é como se o corpo pedisse outra respiração à mesa.
Entre avanços recentes, foi destacada a Lei 130 de 2023, que instituiu um programa experimental nacional de screening pediátrico para diabetes tipo 1 e celiaquia na população infantil, um passo importante rumo ao diagnóstico precoce. Outro marco citado é o artigo 77 da Lei de Bilancio 2026, que trouxe a dematerialização dos buoni para aquisição de produtos sem glúten, facilitando sua circulação em todo o país — uma medida que visa reduzir barreiras logísticas e promover segurança alimentar para quem depende desses alimentos.
O consenso dos participantes foi no sentido de que apenas uma ação sinérgica — reunindo decisores públicos, profissionais de saúde e sociedade civil — poderá cultivar a equidade no acesso aos cuidados e transformar a colheita de dados e práticas em frutos reais para a população. Enquanto isso, como guardião cotidiano da experiência italiana, lembro que cuidar da relação com o alimento é também cuidar do ritmo interior: um convite a ouvir o próprio corpo e a construir ambientes que respeitem diferenças e necessidades.
Por Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia