Reforma da saúde na Itália provoca acusações: 'destrói a profissão do médico de família', alerta Fimmg
Fimmg critica rascunho de reforma do Ministério da Saúde: risco de exclusão de médicos de família e abandono da medicina territorial na Itália.
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Reforma da saúde na Itália provoca acusações: 'destrói a profissão do médico de família', alerta Fimmg
ROMA, 24 de abril de 2026 — Em nota contundente, a Federação Italiana dos Médicos de Medicina Geral (Fimmg) reagiu com força à versão preliminar da reforma proposta pelo Ministério da Saúde, classificando-a como um ato que pode literalmente "destruir o médico de família". A entidade exige a intervenção direta da presidência do Conselho, criticando a elaboração do texto na ausência de diálogo com as categorias profissionais envolvidas.
A sensação predominante entre os clínicos de base é a de uma mudança imposta às pressas, como uma tempestade que altera de repente a paisagem. Para a Fimmg, é inaceitável que um projeto que toca o laço de cuidado de milhões de cidadãos seja preparado "na escuridão" do confronto institucional ausente.
Os argumentos levantados pela federação citam pelo menos duas "contradições técnicas" centrais no rascunho da norma. A primeira aponta que o decreto condiciona o acesso ao vínculo de dependência profissional à obtenção da especialização em medicina geral. O problema, segundo a federação, é que durante décadas esses dois percursos formativos seguiram caminhos incompatíveis; assim, uma geração inteira de médicos de família atualmente em atividade, que não teve a oportunidade de obter essa especialização, correria o risco de ser excluída ou penalizada.
A segunda contradição diz respeito aos profissionais mais jovens e ao futuro da medicina territorial. A Fimmg alerta que as novas regras podem provocar um verdadeiro abandono em massa da atenção primária, precisamente nas áreas já mais frágeis do país — zonas rurais, periferias e regiões com população envelhecida — onde o vínculo entre comunidade e médico é a raiz do cuidado contínuo.
Do ponto de vista humano, o cenário descrito lembra um outono brusco sobre uma colheita ainda por terminar: políticas mal articuladas podem arrancar os frutos do trabalho diário sem reparar nas consequências para quem depende desse serviço. A federação pede revisão imediata do texto e um confronto sério com as organizações representativas, sob pena de comprometer a segurança e a continuidade da assistência à saúde dos cidadãos.
Além das críticas técnicas, há preocupação com a aplicabilidade prática da reforma. Médicos afirmam que a legislação, como está desenhada, seria inattuável nas rotinas de consultórios e nos modelos organizativos locais, ampliando a fragmentação entre hospitais e cuidados primários e enfraquecendo a rede que garante a primeira linha do cuidado.
Em tom firme, a Fimmg solicitou uma audiência ao Governo e à presidência do Conselho, pedindo transparência no processo e participação efetiva das categorias. A sensação é a de que o destino do médico de família e da própria medicina territorial está em jogo — e, como quem observa a respiração de uma cidade ao amanhecer, é preciso devolver ritmo e cuidado a essa relação vital entre população e sistema de saúde.
Enquanto isso, pacientes e profissionais aguardam sinais claros: ou a proposta será reavaliada com diálogo e prudência, ou os efeitos práticos poderão se espalhar como vento frio, abalando estruturas que custaram décadas para ser cultivadas.