SSN não responde mais a todas as necessidades do país, alerta Longo (Bocconi)

Longo (Bocconi) alerta que o SSN cobre metade das consultas e 65% dos gastos com medicamentos; aponta desafios de sustentabilidade e tecnologia.

SSN não responde mais a todas as necessidades do país, alerta Longo (Bocconi)

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SSN não responde mais a todas as necessidades do país, alerta Longo (Bocconi)

Por Alessandro Vittorio Romano — Em Roma, durante o encontro 'Inovazione e sostenibilità per il futuro del Ssn', Francesco Longo, diretor científico da Oasi e do CeRGAS SDA Bocconi, traçou um retrato claro e urgente do presente do Serviço Sanitário Nacional italiano: o sistema já não consegue responder a todas as demandas do país.

Longo destacou números que soam como um mapa de limites: o SSN cobre apenas metade das consultas ambulatoriais necessárias e absorve cerca de 65% da despesa farmacêutica. Esses dados sinalizam que há porções do cuidado que ficam fora da rede pública — uma espécie de horizonte de atenção que o sistema, hoje, não alcança por inteiro.

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O debate, promovido por Clariane Italia em parceria com o Centro de pesquisas sobre gestão da assistência sanitária e social da universidade Bocconi, reuniu instituições, academia e operadores do setor. No centro das discussões estavam desafios estruturais que não podem mais ser adiados: a sustentabilidade econômica, a reorganização dos serviços, a resposta à escassez de pessoal e a integração das tecnologias no cuidado cotidiano.

Como observador sensível às estações da vida pública, eu vejo essa situação como uma paisagem em transição: o terreno da saúde pública precisa de novas raízes — mais recursos, formatos de cuidado que acolham as mudanças demográficas e um solo tecnológico que permita irrigar áreas antes desassistidas. Longo foi direto ao afirmar que as recursos são dificilmente ampliáveis no curto prazo, o que obriga a repensar prioridades, modelos de gestão e parcerias.

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Entre os pontos levantados no encontro, destacou-se a necessidade de uma organização dos serviços que se adapte ao ritmo respiratório das comunidades — cuidado que se aproxima, que integra níveis de atenção e que aproveita a tecnologia sem substituir o vínculo humano. A inovação, lembraram os participantes, deve caminhar junto com a equidade, para que a colheita de benefícios chegue a quem hoje fica à margem.

O diagnóstico de Longo não é apenas um relatório técnico; é um convite à ação. Se as estatísticas mostram que metade das consultas acontece fora do escopo público e que uma fatia significativa dos gastos em medicamentos não é coberta integralmente, então há urgência em redesenhar caminhos: investimentos estratégicos, formação e retenção de profissionais, e adoção consciente de ferramentas digitais que ampliem a capacidade do SSN sem diluir sua missão social.

Nesta estação de mudanças, o desafio é transformar limites em oportunidades — sem pressa, mas com clareza de metas. A sustentabilidade do serviço de saúde nacional exige cuidados que se renovem como paisagens após a chuva: estruturas mais resilientes, políticas que respeitem os ciclos demográficos e uma governança que conjugue eficiência com humanidade.

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