Vacina contra a gripe reduz risco de infarto e AVC, aponta estudo europeu
Estudo do ECDC mostra que a vacina contra a gripe reduz risco de infarto e AVC, mesmo em infecções pós-vacinais, protegendo o coração por reduzir inflamação.
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Vacina contra a gripe reduz risco de infarto e AVC, aponta estudo europeu
Por Alessandro Vittorio Romano — Mesmo quando não impede totalmente a entrada do vírus, a vacina antigripal continua a oferecer um escudo valioso para o coração. Um estudo publicado na revista Eurosurveillance, ligada ao European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC), mostra que a vacinação contra a influenza está associada a menor risco de eventos cardiovasculares agudos, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Os pesquisadores do ECDC, da University of Copenhagen e do Statens Serum Institut analisaram dados de mais de 200 mil pessoas hospitalizadas na Dinamarca por infarto ou AVC entre 2014 e 2025. Segundo os autores, a infecção por influenza pode desencadear eventos cardiovasculares agudos por meio de uma inflamação sistêmica de curta duração — uma fagulha que, em vasos frágeis, pode acionar um desfecho grave.
O trabalho confirmou que, após uma infecção gripal, o risco de infarto aumenta de forma marcante — em alguns casos até cinco vezes — e que o risco de AVC também se eleva de maneira significativa nas semanas seguintes ao contágio. Diante desse cenário, a vacina exerce um papel duplo: reduz a probabilidade de contrair a gripe e, com isso, diminui a chance de os episódios inflamatórios desencadearem complicações cardíacas.
Os autores investigaram ainda as chamadas breakthrough infections (infecções pós-vacinais) — ou seja, quando pessoas vacinadas ainda adoecem. Mesmo nesses casos, a análise sugere que indivíduos vacinados apresentam um padrão de risco diferente, com sinais de proteção relativa em comparação com não vacinados. Em outras palavras, vacinar-se parece amortecer a intensidade do impacto inflamatório e, por consequência, reduzir a probabilidade de um evento cardiovascular grave.
Para quem vive entre as estações, essa descoberta é como cuidar do próprio jardim: a vacinação age como uma camada protetora que preserva as raízes do bem-estar, evitando que tempestades de vírus provoquem estragos nas estruturas mais sensíveis do corpo. É um lembrete de que pequenos gestos preventivos — como tomar a vacina no outono — reverberam na saúde ao longo do ano.
Os pesquisadores reforçam a recomendação de priorizar a vacinação em grupos com maior risco cardiovascular, como idosos e portadores de doenças crônicas. Além disso, ressaltam que a vacinação generalizada reduz a circulação do vírus na comunidade, beneficiando a coletividade — um ciclo que respira mais leve quando a adesão é maior.
Em resumo: a vacina antigripal não é apenas um remédio sazonal contra sintomas respiratórios; é também uma ferramenta de proteção cardiovascular. Mesmo quando não evita todas as infecções, ela contribui para reduzir a pressão inflamatória que pode precipitar um infarto ou um AVC. Cuidar do tempo interno do corpo com medidas simples é, muitas vezes, a melhor colheita que podemos garantir para os próximos meses.
Leitura relacionada: para quem tem doenças do coração, consulte sempre o cardiologista sobre a melhor época e tipo de vacina recomendados.