Caso Equalize: entre os alvos, Bobo Vieri, Fabrizio Corona e Stefano Donnarumma
Documentos do caso Equalize indicam espionagem a figuras públicas e CEOs, com acessos indevidos a bases SDI e Serpico; pagamentos em dinheiro e redes criptografadas.
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Caso Equalize: entre os alvos, Bobo Vieri, Fabrizio Corona e Stefano Donnarumma
Por Aurora Bellini, Espresso Italia — Um novo capítulo do escândalo Equalize ilumina conexões inquietantes entre o universo do esporte, do entretenimento e esferas públicas. Documentos do inquérito em Milão, cujo segundo filão foi encerrado hoje pela Procuradoria, revelam que figuras como Bobo Vieri, ex-atacante da Juventus, Inter e seleção italiana; o ex-agente fotográfico Fabrizio Corona; a blogueira Selvaggia Lucarelli; e o ator e diretor Ricky Tognazzi constam na lista de pessoas presumivelmente “espionadas” por acessos indevidos a bancos de dados.
Entre os ofendidos identificados nos autos também aparecem a empresária e rosto da TV Sonia Bruganelli e Andrea Medri, fundador da extinta plataforma de bitcoin “The Rock Trading”. Um nome que se destaca, contudo, é o do atual CEO das Ferrovie dello Stato, Stefano Antonio Donnarumma. Segundo os registros, Donnarumma foi alvo de uma checagem não autorizada na base de dados SDI do Ministério do Interior em 21 de novembro de 2023 — quase um ano antes de assumir oficialmente a direção da estatal ferroviária.
Os autos descrevem um esquema no qual centenas de alvos foram submetidos a buscas para obtenção de “informações” que, posteriormente, eram trocadas entre integrantes do grupo por canais, por vezes, criptografados. A investigação aponta o ex-inspector de polícia Roberto Bonacina, lotado no posto de Polícia de Fronteira do aeroporto de Orio al Serio (Bergamo), como um dos operadores que teria dado seguimento aos acessos mediante “corrispettivo economico” e a mando de elementos ligados ao núcleo investigado.
À frente de uma ramificação das supostas operações cibernéticas estaria Luca Cavicchi, ligado à agência de investigação situada em Via Pattari, próxima ao Duomo de Milão. Paralelamente, o inquérito inclui mais de 100 imputações relacionadas a um acesso ilegal à base de dados Serpico nos dias 25 e 26 de setembro de 2024.
Um episódio emblemático descreve a operação contra o atleta Marcell Jacobs, cujo dossiê teria sido encomendado mediante pagamento de 10.000 euros em espécie. A notificação da conclusão das investigações alcançou, entre outros, Giacomo Tortu, irmão do velocista Filippo Tortu — este último citado nos autos como alheio à investigação — que teria solicitado averiguações sobre um suposto uso de substâncias proibidas.
Além de Tortu, figuram entre os investigados o mediador do pagamento Giovanni Azzena, o investigador privado Lorenzo Di Iulio e Gabriele Pegorar, que teria entregue a Di Iulio uma pen drive com chats supostamente exfiltrados entre setembro e outubro. O processo também lembra a figura do ex-policial do grupo Equalize, Carmine Gallo, já falecido.
À medida que as peças desse mosaico vão sendo dispostas, a investigação de Milão lança uma luz dura sobre práticas de acesso abusivo a dados sensíveis e sobre a economia clandestina de informações. Revelar esses caminhos é, também, semear uma cultura de responsabilidade institucional e privada: enquanto a apuração avança, permanece a necessidade de proteger o patrimônio de privacidade que sustenta um horizonte límpido para a confiança pública.