4,40 milhões de ucranianos sob proteção temporária na UE: mapa do acolhimento em fevereiro de 2026
Até 28/02/2026, 4,40 milhões de ucranianos têm proteção temporária na UE; Alemanha, Polônia e Chéquia concentram a maior parte dos acolhidos.
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4,40 milhões de ucranianos sob proteção temporária na UE: mapa do acolhimento em fevereiro de 2026
Bruxelas — Aos 28 de fevereiro de 2026, um total de 4,40 milhões de cidadãos não pertencentes à UE que fugiram da Ucrânia desfrutavam do estatuto de proteção temporária no espaço europeu. Em relação ao final de janeiro de 2026, o contingente total aumentou em 22.415 pessoas, equivalente a um acréscimo de 0,5%.
Segundo os dados do Eurostat, os Estados-membros que acolhiam o maior número de beneficiários da proteção temporária eram: Alemanha (1.267.475 pessoas; 28,8% do total na UE), Polônia (966.595; 22,0%) e a Chéquia (399.630; 9,1%). A Itália hospedava 64.085 beneficiários, pouco menos de 1,5% do total.
Do ponto de vista estratégico, estes números traduzem um padrão de distribuição que é, ao mesmo tempo, previsível e revelador: os «pontos de maior atrito» no tabuleiro europeu — Alemanha e Polônia — continuam a concentrar a maior parte do peso humanitário e administrativo. Esse alinhamento não é apenas um dado estatístico; é um mapa da tectônica de poder e responsabilidade dentro da União, onde as linhas de acolhimento traçam um redesenho de fronteiras invisíveis de influência e capacidade logística.
O modesto crescimento mensal de 0,5% sugere uma estabilização relativa dos fluxos, mas não elimina a pressão permanente sobre os alicerces frágeis da diplomacia social e da governança local. A manutenção do estatuto de proteção temporária implica impacto continuado sobre serviços públicos, mercado de trabalho e políticas de integração — variáveis que exigem coordenação entre Estados-membros, orçamento europeu e, sobretudo, planejamento estratégico de médio prazo.
Como observador do xadrez geopolítico, vejo nesta distribuição uma partida em que as peças maiores — aqueles países que assumem a frente do acolhimento — exigem movimentos compensatórios por parte das demais capitais europeias. A estabilidade do sistema europeu de proteção depende, hoje, de uma cooperação que transcenda o gesto inicial de abertura de fronteiras: é preciso traduzir solidariedade em medidas estruturais, financiamento sustentável e vias claras para integração ou reassentamento voluntário.
Os números publicados pelo Eurostat, embora secos, são um mapa essencial para os decisores. Mantendo o olhar sobre as concentrações — Alemanha, Polônia, Chéquia — e sobre os países de menor carga relativa, como a Itália, é possível desenhar políticas que equilibrem responsabilidade e capacidade. No tabuleiro europeu, cada movimento conta: a gestão da proteção temporária é, por ora, uma jogada de resistência e organização, cujo desfecho dependerá da coerência estratégica coletiva.
Marco Severini — Espresso Italia