Albares acusa Itália de falta de solidariedade na crise de Ceuta: “A demagogia não compensa”
Albares acusa a Itália de falta de solidariedade na crise de Ceuta e vê demagogia eleitoral; Madrid lembra apoio espanhol a Itália em Lampedusa (2023).
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Albares acusa Itália de falta de solidariedade na crise de Ceuta: “A demagogia não compensa”
Por Marco Severini, Espresso Italia — Em uma audição perante a Comissão de Relações Exteriores do Congresso dos Deputados, o ministro espanhol José Manuel Albares acusou a Itália de demonstrar uma “falta de solidariedade” diante da resposta de Madrid à crise migratória em Ceuta. Em tom grave e com um apelo à coesão europeia, Albares considerou que determinadas medidas adotadas por Roma perseguem ganhos internos de curto prazo, não interesses comunitários.
O centro da controvérsia foi a decisão da Itália de impor controlos a viajantes provenientes da Espanha logo após o ingresso massivo de migrantes em Ceuta. O ministro qualificou essa atitude como "arbitrária" e um "ultraje injustificável", lembrando que Roma conhece as particularidades das fronteiras espanholas no Norte de África e os mecanismos de segurança ali vigentes.
Albares enfatizou que, graças ao sistema de duplo filtro aplicado em Ceuta e Melilla, o espaço Schengen continua assegurado. Ao evocar o princípio da reciprocidade, o chefe da diplomacia espanhola recordou que, em 2023, quando milhares de migrantes chegaram a Lampedusa, a Espanha apoiou a resposta italiana e defendeu o caso como uma crise europeia, não apenas um problema doméstico.
Com a objetividade de um estrategista observando o tabuleiro, Albares atribuiu a reação de Roma a motivos de política interna: "demagogia" e tentativa de obter vantagem eleitoral explorando um tema sensível. "Essa não é uma postura responsável e tampouco politicamente rentável", declarou, sublinhando o custo político e moral de instrumentalizar fluxos humanos para ganhos eleitorais.
Além de criticar a Itália, Albares também dirigiu observações à Dinamarca, lembrando que a Espanha já havia defendido, em outro contexto, a integridade territorial e a soberania dinamarquesa face a reivindicações externas sobre a Groenlândia. "A Europa é solidariedade; sem solidariedade não há Europa", concluiu o ministro, convocando a construção de alicerces comuns em vez de muros políticos.
Do ponto de vista geoestratégico, trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro diplomático: Madrid procura reafirmar normas comunitárias e responsabilizar parceiros que adotam medidas unilaterais durante crises transfronteiriças. A acusação de Albares expõe a fragilidade de certas alianças informais e revela a tensão entre políticas domésticas e a arquitetura coletiva da União Europeia.
Em suma, a disputa entre Madrid e Roma não é apenas um desentendimento bilateral; é um sintoma das dificuldades em manter a coesão europeia diante de desafios migratórios e de comunicação política. Como em uma partida de xadrez, cada jogada procura redesenhar linhas de influência e testar a resistência dos alicerces da diplomacia intergovernamental.

