Ataque russo a centro comercial em Kryvyi Rih, cidade natal de Zelenskyy, deixa ao menos 10 mortos e 121 feridos
Ataque russo a centro comercial em Kryvyi Rih, cidade natal de Zelenskyy, deixa 10 mortos e 121 feridos; ataque em duas ondas atinge civis e serviços de emergência.
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Ataque russo a centro comercial em Kryvyi Rih, cidade natal de Zelenskyy, deixa ao menos 10 mortos e 121 feridos
Ao menos dez pessoas foram mortas e outras 121 ficaram feridas — entre elas 22 crianças — após um ataque russo na tarde de sexta-feira contra um centro comercial em Kryvyi Rih, cidade natal do presidente Zelenskyy. O balanço foi informado por Oleksandr Hanzha, chefe da administração militar regional de Dnipropetrovsk.
Hanzha afirmou que o número de vítimas do "ataque inimigo contra Kryvyi Rih" ainda tende a aumentar, e que lojas no interior do centro comercial foram tomadas pelas chamas. Vídeos não verificados nas redes sociais mostram feridos com sangramentos sendo assistidos por socorristas; outras imagens aparentam registrar um segundo drone colidindo com a construção já tomada pelo fumo, alguns minutos após o primeiro impacto.
O presidente Zelenskyy condenou o ataque — ocorrido em sua cidade natal — nas redes sociais, classificando-o como "cínico e desprezível" e ressaltando que se tratava de "um centro comercial comum". Segundo o mandatário, os ataques se deram em duas ondas: "meia hora após o primeiro impacto e o incêndio subsequente, houve um segundo ataque direcionado aos serviços de emergência". Zelenskyy pediu uma reação global "adequada, com pressão real sobre o agressor".
A cidade industrial de Kryvyi Rih, situada a cerca de 60 quilômetros da linha de frente, tem sido alvo frequente desde a invasão em larga escala iniciada por Moscou em 2022. O episódio desta sexta integra um padrão de intensificação dos ataques contra áreas urbanas e infraestruturas civis nos últimos meses.
Na mesma jornada, o Serviço Estadual de Emergência da Ucrânia reportou a morte de uma pessoa após ataque de drones russos na comunidade de Bereza, na região de Sumy. Outros ataques nas últimas 24 horas também deixaram vítimas: na cidade oriental de Kramatorsk, um ataque a um centro comercial matou duas pessoas; à noite e nas primeiras horas do dia, ao menos cinco civis foram mortos em vários pontos do país.
Entre as vítimas recentes há uma mulher de 46 anos do vilarejo de Komyshuvakha, na região de Zaporizhzhia, atingida por uma "bomba aérea guiada russa", segundo Ivan Fedorov, chefe da administração militar regional. No norte, no vilarejo de Lebiazhe, na linha de frente de Kharkiv, quatro pessoas foram mortas — incluindo duas mulheres de 73 e 66 anos — após ataques de drones que provocaram incêndios em áreas residenciais, informou Oleh Syniehubov, chefe da administração militar da região.
Durante a noite, Moscou lançou um total de 135 drones contra a Ucrânia, atingindo 16 localidades; as Forças Armadas ucranianas afirmam ter abateram 107 desses vetores. Em paralelo, as autoridades ucranianas informaram ter atacado depósitos de armazenamento de drones, armazéns logísticos, postos de comando e outras instalações ligadas à cadeia de suprimento adversária.
Do ponto de vista estratégico, este conjunto de ações constitui um movimento deliberado no tabuleiro: não se trata apenas de golpear posições militares, mas de pressionar centros civis e a resposta humanitária, erodindo os alicerces da resiliência social. A tectônica de poder observada — um aumento de ataques em profundidade e ataques dirigidos a socorro emergencial — revela um desenho de intimidação que busca impor custos psicológicos e logísticos à população e ao Estado.
As consequências humanitárias são claras e imediatas: com o aumento das vítimas civis, o apelo por resposta internacional ganha intensidade, enquanto a máquina diplomática e a logística de defesa ucraniana ajustam suas peças num tabuleiro em que cada movimento tem implicações regionais e globais.
Em silêncio calculado, os atores externos observam o redesenho de fronteiras invisíveis e recalibram suas pressões políticas e econômicas. Para a Ucrânia, restam a mobilização de capacidades de defesa aérea, a organização de socorro e a busca por maior coerência de resposta internacional — elementos essenciais para sustentar a estabilidade em um confronto cujos efeitos ultrapassam o campo de batalha.

