Carlo Comporti escolhido pelos 27 para presidir a ESMA: reconhecimento institucional e geopolítico para a Itália

Carlo Comporti escolhido pelo Coreper para presidir a ESMA; voto 17-10. Próximas etapas: audiência no Parlamento e decisão final até 1º de novembro.

Carlo Comporti escolhido pelos 27 para presidir a ESMA: reconhecimento institucional e geopolítico para a Itália

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Carlo Comporti escolhido pelos 27 para presidir a ESMA: reconhecimento institucional e geopolítico para a Itália

Bruxelas — Em um movimento cuidadoso no tabuleiro institucional europeu, os vinte e sete embaixadores dos Estados-membros da União Europeia reunidos no Coreper aprovaram hoje, 22 de julho, o nome do italiano Carlo Comporti como candidato à presidência da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA). A escolha, realizada por escrutínio secreto, resultou em 17 votos a favor e 10 contra.

O processo, porém, segue etapas constitucionais bem delineadas: o presidente do Coreper comunicará formalmente a decisão ao Parlamento Europeu, que terá a atribuição de ouvir o candidato em sessão pública — segundo fontes do Parlamento, a audiência poderá ocorrer já no dia 2 de setembro — e, posteriormente, submeter o nome à votação plenária entre 14 e 17 de setembro. Concluída a apreciação do Parlamento, o dossier retornará aos Estados-membros para que o Conselho da UE adote a decisão de execução que formalizará a nomeação. A previsão é que todo o procedimento seja finalizado até 1º de novembro.

O resultado imediato teve eco favorável em Roma. O ministro da Economia e das Finanças, Giancarlo Giorgetti, saudou a escolha como “auguri e complimenti” a Carlo Comporti, ressaltando que, ainda que o processo não esteja definitivamente concluído, o voto de hoje representa “um reconhecimento à pessoa e à Itália”. Giorgetti assinalou a importância estratégica da ESMA, vislumbrando-a em evolução como uma espécie de “Consob europeia”, e atribuiu o êxito ao método de trabalho seguido pelo governo, que teria contribuído para a recomposição da credibilidade italiana na cena comunitária.

Da bancada do Partido Democrático, a eurodeputada Irene Tinagli manifestou também satisfação com a escolha, apontando que, na experiência de Comporti como comissário da Consob, ele demonstrou “qualidade e competência” que justificam amplo consenso no Parlamento Europeu.

Perfil técnico: Carlo Comporti integra a Consob desde 7 de fevereiro de 2022, atuando no Conselho de Vigilância e no Conselho de Administração, além de presidir o Comitê Permanente para a Finança Digital da ESMA. É igualmente membro do Conselho de Administração e presidente do Comitê de Revisão e Finanças da Organização Internacional das Comissões de Supervisão de Valores Mobiliários (IOSCO). Formado em 1991 na Universidade de Siena, com doutorado em Direito Bancário e dos Mercados Financeiros obtido em 1995, Comporti acumulou experiência na Consob entre 1994 e 1997, nas divisões de Intermediários e nas Relações Internacionais, e desempenhou atividades docentes na virada dos anos 2000.

Do ponto de vista estratégico, a designação de um italiano para dirigir a ESMA é mais que uma vitória protocolar: é um movimento de reconquista de influência numa área sensível da governação económica europeia. A autoridade regula instrumentos e mercados que são alicerces da estabilidade financeira, e a presidência exerce papel chave na definição de padrões regulatórios e de supervisão. Em termos geopolíticos, a operação lembra um lance de xadrez onde se tenta consolidar um eixo de credibilidade técnica sem provocar deslocamentos abruptos na tectônica de poder da UE.

Resta agora acompanhar a evolução formal do processo legislativo europeu. Se o Parlamento confirmar o candidato, será a vez do Conselho transpor a decisão em ato executivo — um percurso que, se bem-sucedido, colocará a Itália em posição de destaque na arquitetura regulatória financeira europeia, com reflexos diretos na relação entre autoridades nacionais e o futuro desenho de uma supervisão comum.