Peru reconhece soberania do Marrocos sobre o Saara e anuncia consulado em Dakhla

Peru apoia soberania do Marrocos sobre o Saara e anuncia consulado em Dakhla, reforçando laços políticos e parceria comercial.

Peru reconhece soberania do Marrocos sobre o Saara e anuncia consulado em Dakhla

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Peru reconhece soberania do Marrocos sobre o Saara e anuncia consulado em Dakhla

Em um movimento de repercussão diplomática, o Peru declarou seu apoio à integridade territorial do Marrocos e à sua soberania sobre o Saara, ao mesmo tempo em que anunciou a abertura de um consulado na cidade de Dakhla. A declaração consta em comunicado conjunto divulgado em Nova York, ao término do encontro entre o ministro dos Negócios Estrangeiros marroquino, Nasser Bourita, e seu homólogo peruano, Carlos Espá y Garcés Alvear, na margem da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.

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O governo de Lima reafirmou também seu apoio à Iniciativa marroquina de autonomia para o Saara, qualificada pelas autoridades peruanas como uma solução política “justa, duradoura e aceitável para todas as partes”. Paralelamente, o Peru confirmou a adesão à Resolução 2797 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada em outubro de 2025, que deu novo impulso ao processo político destinado a resolver a controvérsia.

De particular relevo estratégico é a decisão peruana de instalar representação consular em Dakhla. Segundo o comunicado, o consulado terá uma vocação claramente econômica e comercial, podendo servir como plataforma de acesso a mercados africanos para produtos peruanos. Trata-se de um movimento que, na linguagem das diplomacias, reconstrói alicerces comerciais e abre corredores de influência em uma região onde a tectônica de poder tem-se deslocado nos últimos anos.

O posicionamento de Lima insere-se num contexto internacional mais amplo: mais de 150 Estados-membros da ONU apoiam hoje a soberania do Marrocos sobre o Saara ou reconhecem a Iniciativa marroquina de autonomia como base para uma solução política. Dentro da União Europeia, 25 dos 27 Estados-membros expressaram, a nível nacional, apoio à iniciativa de autonomia, embora com nuances e formulações distintas.

No plano bilateral, o encontro entre Bourita e Espá y Garcés Alvear marcou o relançamento das relações entre Rabat e Lima. As partes concordaram em reforçar a cooperação em setores estratégicos: segurança, comércio, agricultura, fertilizantes, gestão de recursos hídricos, energias renováveis, logística, cultura, educação e formação profissional. Esse conjunto de pactos tem a aparência de um movimento coordenado no tabuleiro geopolítico — uma série de jogadas destinadas a consolidar influência e a criar redes de interdependência.

Como analista, vejo nesta decisão peruana tanto um gesto de alinhamento político quanto uma opção pragmática de mercado. A abertura de um consulado em Dakhla simboliza um redesenho de fronteiras invisíveis entre hemisférios: rotas comerciais e parcerias estratégicas sendo traçadas com a precisão de um bispo num tabuleiro de xadrez. Resta observar como essa iniciativa influenciará as negociações em curso e a dinâmica regional do Saara ocidental.

O anúncio é mais do que protocolo: é uma jogada de dimensão geoeconômica que combina reconhecimento político e interesse comercial, ao mesmo tempo em que contribui para o fortalecimento das posições do Marrocos no fórum internacional.

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