Confindustria e PPE pedem neutralidade tecnológica e aposta em carburantes alternativos na UE

Confindustria e PPE pedem neutralidade tecnológica e aposta em carburantes alternativos para conciliar decarbonização, competitividade e emprego na UE.

Confindustria e PPE pedem neutralidade tecnológica e aposta em carburantes alternativos na UE

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Confindustria e PPE pedem neutralidade tecnológica e aposta em carburantes alternativos na UE

Bruxelas — Num painel ocorrido no Parlamento Europeu sobre "O futuro da mobilidade na Europa: conciliar decarbonização, competitividade industrial e excelência», líderes industriais e representantes políticos elevaram um apelo firme à Comissão Europeia: é necessário um reenquadramento pragmático da legislação automotiva para preservar competitividade e emprego. O evento, organizado por Confindustria, Confindustria Energia e ANFIA, contou com intervenções que expuseram os riscos de uma transição regulatória feita sem o devido realismo.

O eurodeputado Massimiliano Salini, relator do Parlamento sobre a proposta de revisão do regulamento de emissões de CO2 para veículos ligeiros e furgões, foi categórico. Segundo ele, a flexibilidade introduzida pela Comissão — resultado do pacote automotivo apresentado no final de 2025 e hoje em análise pelos colegisladores, Parlamento e Conselho — revela-se, na prática, uma "flexibilidade de fachada". Para Salini, a proposta não corrige os erros do regulamento de 2023 e ameaça um princípio basilar do mercado europeu: a competição tecnológica como motor da excelência industrial.

Na sua leitura, é preciso utilizar o trabalho em curso sobre o pacote automotivo como alavanca para um verdadeiro "ribaltamento" de abordagem, restaurando o equilíbrio entre objetivos ambientais, necessidades industriais e a capacidade de suporte econômico das famílias. O objetivo declarado por Salini é assegurar uma competição justa entre veículos elétricos e veículos movidos por carburantes alternativos, evitando que a transição seja imposta de forma abrupta e punitiva aos atores económicos e aos cidadãos.

A advertência não é retórica: o anúncio de cortes na ordem de 100 mil postos de trabalho pela Volkswagen foi citado como evidência concreta de que transições forçadas podem produzir danos sociais e económicos significativos. "O que aconteceu na Volkswagen demonstra como uma transição sem coordenação e sem margem de adaptação pode minar os alicerces da indústria», afirmou Salini, sublinhando a necessidade de políticas que combinem ambição ambiental com previsibilidade industrial.

Também Stefan Pan, vice‑presidente da Confindustria com delegação para a União Europeia, reforçou a tese. Segundo Pan, se a política definir cada detalhe do processo de transformação industrial, corre‑se o risco de cristalizar efeitos como o apontado pela gigante alemã — uma ponta do iceberg de consequências mais amplas. "Somos uma indústria dinâmica e pronta para investir; deixem‑nos correr: nós daremos as asas", disse, numa metáfora que evoca tanto iniciativa privada quanto responsabilidade coletiva.

O apelo conjunto de Confindustria e do grupo do Partido Popular Europeu (PPE) é, portanto, por uma verdadeira neutralidade tecnológica: um quadro regulatório que não prefira uma solução tecnológica em detrimento de outra, mas que permita a competição entre soluções — elétricas, híbridas, e alimentadas por combustíveis alternativos — até que se verifiquem resultados sustentáveis em termos de emissões, custos e segurança energética.

Na linguagem da geopolítica industrial — aquela cartografia fina das influências e dependências — trata‑se de um movimento estratégico. Sem previsibilidade regulatória, há risco de deslocamentos industriais e de perda de posição competitiva global, uma espécie de redesenho de fronteiras invisíveis no mapa da indústria automotiva europeia. O desafio para os colegisladores é, portanto, arquitetar regras que preservem a ambição climática mas não erosionem a capacidade produtiva do bloco.

Em termos práticos, o debate seguirá nos próximos meses nas negociações entre Parlamento e Conselho. O que está em jogo é mais do que uma norma: é a tectônica de poder entre indução regulatória e liberdade de adaptação industrial. Como em um tabuleiro de xadrez, os próximos movimentos determinarão se a Europa conseguirá conciliar a meta de decarbonização com uma indústria automotiva forte, inovadora e socialmente sustentável.