Com o ritmo atual, a paridade de gênero só chegará em 2197; o 'teto de cristal' permanece intacto
Com o ritmo atual, a paridade de gênero só chegaria em 2197; CESE pede ações urgentes para quebrar o 'teto de cristal' e acelerar igualdade.
RESUMO ✦
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Com o ritmo atual, a paridade de gênero só chegará em 2197; o 'teto de cristal' permanece intacto
Bruxelas – A análise das trajetórias atuais aponta para um cenário de longo prazo: a paridade de gênero só seria alcançada em 2197, isto é, daqui a 171 anos. Essa projeção distancia-se de maneira dramática da meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que fixaram 2030 como prazo para progressos substantivos na igualdade entre mulheres e homens.
Em reação a esse quadro, o Comitê Econômico e Social Europeu (CESE) aprovou uma resolução delineando as prioridades da União Europeia para a 71ª sessão da Comissão das Nações Unidas sobre a Condição da Mulher (UN CSW71), agendada para março de 2027, em Nova York. Preparada pelas relatoras Giulia Barbucci, Juliane Marie Neiiend e Christa Schwenge, a resolução chama a atenção para os obstáculos persistentes que travam a independência econômica das mulheres, limitam sua presença em cargos de liderança e alimentam a difusão da violência de gênero.
O CESE pede às instituições da UE, aos Estados-membros e à comunidade internacional medidas mais proativas e ambiciosas. Nas palavras das relatoras: a CSW71 é uma oportunidade para converter promessas em progressos mensuráveis. Com 2030 se aproximando rapidamente, empregadores, sindicatos e sociedade civil devem catalisar avanços em áreas-chave: trabalho digno, empreendedorismo, liderança, competências digitais, serviços de assistência de qualidade e ação climática.
O texto do CESE sublinha que os progressos rumo à igualdade de gênero permanecem desiguais, frágeis e cada vez mais contestados em níveis nacional, europeu e global. Mulheres e meninas enfrentam barreiras estruturais e sistêmicas que restringem sua participação plena, independência econômica, segurança e fruição integral dos direitos humanos. Assim, é imperativo acelerar a paridade no acesso a um trabalho digno, na equidade salarial por trabalho de igual valor, na proteção social e nas oportunidades de empreendedorismo e liderança.
O documento dedica atenção especial às empresárias e às pequenas e médias empresas (PMEs) lideradas por mulheres, ainda subrepresentadas apesar de seu papel central na inovação, na criação de emprego, na competitividade e na resiliência econômica local. Em termos quantitativos, o Gender Snapshot 2026 da ONU indica que mulheres representam cerca de 40% dos trabalhadores nas empresas globalmente, porém apenas 5,8% dos cargos de CEO nas companhias listadas analisadas e 25,1% dos assentos em conselhos de administração.
Em linguagem de estratégia: o sofrimento do teto de cristal é um problema estrutural que persiste como uma fortificação imóvel no tabuleiro geopolítico. A leitura que proponho, com a calma de quem traça mapas e alicerces, é a seguinte: sem uma combinação de políticas públicas robustas, compromisso empresarial e ação coordenada entre atores sociais, o redesenho das fronteiras do poder econômico seguirá lento — e a tectônica de poder continuará a favorecer a manutenção do status quo.
Portanto, a convocação do CESE é clara e exige medidas concretas. No tabuleiro internacional, tratar a questão como prioridade estratégica significa mobilizar recursos, reformular incentivos e inserir a igualdade de gênero como eixo das políticas de competitividade e resiliência. Sem isso, o horizonte projetado pela ONU nada mais é que um aviso: as metas de 2030 permanecerão como um objetivo não realizado, enquanto o teto de cristal continua inabalável.

