Autonomia e Competitividade da UE: de 'meat sounding' à soberania digital — temas centrais do Connact Summer Workshop
No Connact Summer Workshop, UE discute autonomia e competitividade em agroalimentar, saúde e soberania digital — encontros no Parlamento Europeu em 24/06.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Autonomia e Competitividade da UE: de 'meat sounding' à soberania digital — temas centrais do Connact Summer Workshop
Bruxelas – Em um movimento que revela os delicados xadrezes da governação europeia, o Connact – Summer Workshop reunirá no próximo dia 24 de junho, no Parlamento Europeu, líderes institucionais, associações setoriais, empresas e especialistas para discutir a “Autonomia e competitividade da UE: o agroalimentar, a saúde e o digital”. O encontro traça, como em um mapa estratégico, os eixos que moldarão decisões regulatórias e industriais nos próximos anos.
Ao centro do debate estarão temas que já figuram nas mesas de decisão comunitárias: a controvérsia do meat sounding, a emergência de uma soberania digital europeia e as lições mal resolvidas sobre suprimentos de medicamentos evidenciadas pela crise da Covid-19. São questões que tocam os alicerces frágeis da diplomacia regulatória e exigem decisões que equilibrem segurança, inovação e competitividade.
Segurança alimentar e o pacote Omnibus. Um painel será inteiramente dedicado à segurança alimentar, cobrindo a cadeia que vai da agricultura à indústria alimentar. A Comissão Europeia, em dezembro de 2025, apresentou a proposta Omnibus, destinada a simplificar regras sobre segurança alimentar, fitossanitários e controles, com objetivo declarado de reduzir a burocracia em 25–35%. Paralelamente, trabalha-se num novo sistema de rotulagem nutricional que visa melhorar a informação ao consumidor — uma remodelação de regras que terá impacto direto sobre produtores e marcas.
O painel Agri-Food reunirá um conjunto de vozes relevantes: Elisabeth Werner (diretora-geral DG AGRI da Comissão UE); os eurodeputados Stefano Bonaccini, Salvatore De Meo, Carlo Fidanza e Cristina Guarda; Flavio Facioni (membro do gabinete do comissário Olivér Várhelyi); Antonios Nestroras (EPIC); Eugenia Palagi (RPUE); Simona Caselli (Legacoop Agroalimentare); Leonardo Pofferi (Confcooperative); Romina Raucci (Federalimentare); Graziano Scardino (CIA Agricoltori italiani); Andrea Sorbello (Barilla) e Francesco Tramontin (Ferrero). A moderação estará a cargo de Marco Liberati (Agenzia di stampa Agricolae).
Saúde, medicamentos críticos e autonomia estratégica. Outro eixo essencial tratará das políticas europeias de saúde e do setor farmacêutico, com foco numa integração mais robusta entre os 27 Estados-membros. Iniciativas como o Critical Medicines Act, propostas de simplificação para dispositivos diagnósticos e terapêuticos, o esperado Biotech Act II e o Cardiovascular Plan serão objeto de análise quanto ao seu impacto na autonomia produtiva, segurança do abastecimento e capacidade de inovação frente a concorrentes globais.
O painel da saúde contará com participações institucionais como Csaba Kontor (policy assistant do gabinete do Comissário Várhelyi) e eurodeputados como Pierfrancesco Maran e Ruggero Razza, entre outros decisores e especialistas que traçarão cenários e medidas para assegurar resiliência estratégica no setor.
Digital e soberania tecnológica. No capítulo digital, a conversa desloca-se para a construção de uma soberania digital europeia que preserve valores, proteja infraestrutura crítica e permita competitividade em mercados tecnológicos. Discutir-se-á como equilibrar regulação, proteção de dados e estímulo à inovação, sem fragmentar o mercado interno — um verdadeiro movimento no tabuleiro geopolítico do século XXI.
O Connact Summer Workshop nasce, portanto, como uma arena onde se confrontam interesses industriais, exigências de saúde pública e imperativos tecnológicos — cada qual representando uma peça no grande tabuleiro da estratégia europeia. Para decisores, empresários e observadores, será uma oportunidade para avaliar o redesenho de fronteiras invisíveis entre regulação e poder econômico, e para moldar políticas que garantam à União Europeia maior autonomia e competitividade num mundo de tectônica de poder em transformação.
(Foto: archivio Connact)