Ecofin aposta em acordo sobre MISP e poderes da ESMA com prazo até outubro
Ecofin impulsa acordo para o MISP até outubro; debate centra-se em poderes da ESMA e equilíbrio entre supervisão europeia e controlo nacional.
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Ecofin aposta em acordo sobre MISP e poderes da ESMA com prazo até outubro
Bruxelas — Num movimento que reflete um claro impulso de coordenação estratégica, os ministros das Finanças dos 27 membros da União Europeia deram mandato político para procurar um acordo sobre o pacote de integração e supervisão dos mercados financeiros — conhecido pelo acrônimo MISP — com horizonte para outubro. A presidência irlandesa do Conselho da UE fixou a meta: fechar o dossiê para a reunião de ministros a 9 de outubro e levar a proposta ao debate dos líderes no Conselho Europeu a 15 de outubro.
O primeiro Ecofin presidido pela Irlanda consolidou um calendário político que, na avaliação dos participantes, oferece espaço técnico e negocial adequado para tratar das questões pendentes. O ministro das Finanças irlandês, Simon Harris, pôde enunciar um «apoio unânime» à ideia de encerrar o processo dentro desse cronograma — um sinal político que pretende reduzir a incerteza e orientar as negociações subsequentes.
No centro do debate está a proposta da Comissão Europeia para transferir competências de supervisão direta à ESMA (Autoridade Europeia dos Instrumentos e Mercados Financeiros) sobre infraestruturas de mercado críticas — incluindo algumas plataformas de negociação, contraparte central (CCPs), depositários centrais (CSDs) e prestadores de serviços de criptoativos. A iniciativa visa superar a fragmentação dos mercados, componente essencial da estratégia da União da poupança e do investimento, mas desperta reservas quanto a possíveis sobreposições com as autoridades nacionais.
Países como Bélgica e Países Baixos insistem na necessidade de evitar «duplicações inúteis» nos processos de supervisão. A Alemanha, representada por Jeanette Schwamberger, exige que a ESMA esteja sujeita a mecanismos de controlo, enquanto os holandeses, pela voz do ministro Eelco Heinen, defendem a autonomia decisória do órgão europeu para não cair num processo de supervisão travado por contrapesos excessivos.
Berlim propõe, pragmáticamente, limitar os poderes da ESMA a entidades identificadas através de requisitos e limiares bem definidos — uma abordagem calibrada que busca minimizar riscos de centralização excessiva. Essa linha encontra eco em Roma: o representante permanente Vincenzo Celeste afirmou que a Itália exige «critérios precisos e um percurso faseado» para a atribuição de poderes, além do envolvimento de peritos nacionais, cuja experiência sobre mercados locais é considerada essencial.
O quadro discursivo ganha uma camada adicional com a advertência de Luis de Guindos: a «imprevisibilidade» nos mercados pode persistir por anos, pelo que a integração financeira torna-se urgente. Em termos de geopolítica económica, trata-se de um jogo em que se redesenham fronteiras invisíveis de supervisão — um movimento decisivo no tabuleiro que exige equilibrar eficiência regulatória e soberania nacional.
O calendário aprovado oferece um roteiro: até 9 de outubro resolver os pontos críticos, preservar o papel dos especialistas nacionais e assegurar governança equilibrada, para então submeter a proposta ao escrutínio dos líderes europeus. A tectônica de poder entre autoridades nacionais e europeias seguirá, portanto, em foco nos próximos meses — com possíveis repercussões duradouras sobre a arquitectura de supervisão financeira do bloco.