Crise dos eletrodomésticos: eurodeputados do PD exigem ação imediata sobre os preços da energia
Eurodeputados do PD exigem medidas sobre preços da energia e defesa contra dumping após anúncio de 1.700 demissões na Electrolux na Itália.
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Crise dos eletrodomésticos: eurodeputados do PD exigem ação imediata sobre os preços da energia
Bruxelas — O anúncio de 1.700 demissões pela Electrolux — equivalente a cerca de 40% da força de trabalho do grupo na Itália — é interpretado pelos eurodeputados do Partido Democrático (PD) como mais um movimento numa crise estrutural do setor de eletrodomésticos. Em resposta ao ministro das Empresas e do Made in Italy, Adolfo Urso, que atribuiu a responsabilidade à União Europeia, os parlamentares socialistas italianos delinearam um conjunto de medidas com foco principal no controlo dos custos energéticos e na defesa contra concorrência desleal.
Segundo o comunicado do grupo parlamentar do PD em Bruxelas, a multinacional sueca comunicou em 11 de maio a intenção de encerrar uma fábrica, reduzir a produção e cortar quase 40% dos postos de trabalho na Itália. A notícia surge no contexto de uma cadeia de desindustrialização que já vitimou empresas históricas: Candy teve o seu estabelecimento de Brugherio fechado após a transferência para o grupo chinês Haier; a Whirlpool, depois de integrar marcas como Ignis e Merloni, alienou instalações à turca Beko, efetivando uma profunda reestruturação.
Os eurodeputados do PD classificam o quadro como uma “triste verdade”: o setor hoje emprega cerca de 13 mil trabalhadores em Itália, metade do contingente do início dos anos 2000. A produção nacional de eletrodomésticos registou queda drástica — de 30 milhões de unidades em 2010 para menos de 10 milhões atualmente — enquanto o mercado europeu total passou de 90 milhões de peças em 2020 para 83 milhões em 2025.
Na análise dos responsáveis do PD, duas forças estruturais estão a corroer a competitividade: a fraqueza da procura e os elevados custos de produção. Entre estes, o custo da energia emerge como fator decisivo: representa 18% dos custos totais do setor, mas em Itália é cerca de 45% mais caro do que na China e quase 25% acima da média europeia. As matérias‑primas também pressionam — afirmam os eurodeputados: constituem 37% dos custos, com o aço europeu 31% mais caro que o chinês e o preço do vidro a registar aumento de quase 150%.
Para recuperar a posição no tabuleiro industrial, o PD propõe intervenções conjuntas de caráter estrutural e emergencial. No plano estrutural, defendem acelerar a transição para renováveis e reduzir a dependência do gás, reforçando os alicerces energéticos do país. No plano emergencial, sugerem medidas como um tetofixo ao preço do gás e a utilização de receitas geradas pela tributação extraordinária dos extra‑lucros das companhias energéticas para amortecer as faturas das empresas. Ademais, os eurodeputados pedem que os recursos provenientes do mercado ETS sejam canalizados especificamente para apoiar as indústrias afetadas, em vez de se diluírem na fiscalidade geral.
No campo da defesa comercial, o PD garante que há trabalho em curso para combater o dumping e práticas comerciais desleais que distorcem a concorrência. Conjugar políticas energéticas, proteção contra importações predatórias e estímulo a investimentos industriais é, na visão do grupo, o movimento decisivo para evitar mais perdas de capacidade produtiva em solo italiano.
Como analista e autor desta peça, observo que a situação exige uma leitura de largo prazo — um redesenho de fronteiras invisíveis entre política industrial e política energética. Sem uma estratégia que reconcilie custos de produção, comércio internacional e investimentos em inovação, o tabuleiro corre o risco de ver as suas peças estratégicas deslocarem‑se irreversivelmente para outros centros de influência.