Líderes europeus e Canadá exigem que a tregua EUA‑Irã seja respeitada por todos, inclusive por Israel no Líbano
Líderes europeus e Canadá pedem que a tregua EUA‑Irã seja respeitada por todos, incluindo Israel no Líbano; Bruxelas aponta risco de novas escaladas.
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Líderes europeus e Canadá exigem que a tregua EUA‑Irã seja respeitada por todos, inclusive por Israel no Líbano
Por Marco Severini — Em uma declaração conjunta de tom firme, nove chefes de Estado e de governo europeus, acompanhados pelos presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, pediram que a tregua EUA‑Irã de duas semanas seja integralmente respeitada por todas as partes, com menção expressa de que isso inclui a conduta de Israel no Líbano.
Os signatários — entre os quais se destacam a presidente do Conselho, Giorgia Meloni, a primeira‑ministra dinamarquesa Mette Fredriksen, o presidente francês Emmanuel Macron, o chanceler alemão Friedrich Merz, o primeiro‑ministro grego Kyriakos Mitsotakis, o ministro‑presidente neerlandês Rob Jetten, o espanhol Pedro Sánchez, o britânico Keir Starmer, o canadense Mark Carney, além de Ursula von der Leyen e António Costa — saudaram o acordo como um resultado fundamental que abre espaço para previsibilidade política e comercial, atribuindo também mérito ao esforço de mediação do Paquistão.
No texto comum, o bloco ocidental deixa claro que não tolerará que os ganhos negociados sejam comprometidos: “esortiamo tutte le parti ad attuare il cessate il fuoco, compreso in Libano” — a passagem, aqui traduzida, invoca explicitamente o cessar‑fogo também no teatro libanês, uma referência deliberada e implícita ao governo de Tel Aviv.
Essa inserção não é meramente retórica. O plano de dez pontos, em base às negociações que sustentam a trégua, prevê o desengajamento das forças israelenses na região como condição para a calma duradoura. O primeiro‑ministro israelense, Benjamin Netanyahu, entretanto, deixou indicações públicas de que se reserva o direito de prosseguir operações contra o Hezbollah no Líbano, postura que preocupa Bruxelas e os parceiros do G7 e da OTAN representados pela nota.
“Sosteniamo questi sforzi diplomatici”, afirmam os líderes, ao sublinharem que estão em estreito contacto com os Estados Unidos e outros parceiros. A linha é clara: o objetivo imediato deve ser negociar um fim rápido e duradouro do conflito por meios diplomáticos. Em termos geopolíticos, trata‑se de um movimento decisivo no tabuleiro — evitar que um momento de trégua se converta num novo ponto de inflamação que redesenhe fronteiras invisíveis de influência.
Apesar das palavras de apreço pela mediação, o cenário em campo voltou a se deteriorar: no período da tarde, fontes israelenses e o próprio ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciaram ataques contra supostos centros de comando do Hezbollah em território libanês, qualificando‑os como o golpe mais duro desde a conhecida “Operação Beepers” de 2024. O governo libanês, através do primeiro‑ministro Nawaf Salam, denunciou ataques a áreas densamente povoadas de Beirut e descreveu os incidentes como massacres de civis desarmados, refutando os relatórios militares de Tel Aviv sobre as vítimas.
Do ponto de vista estratégico, a declaração europeia e canadense funciona como um contrapeso institucional: um mini‑bloco que reúne peso político da União Europeia, do G7 e da OTAN e que pretende evitar a erosão dos alicerces frágeis da diplomacia em curso. A tectônica de poder em jogo mostra que a estabilidade depende tanto de acordos firmados em mesas de negociação quanto da contenção de impulsos operacionais no terreno.
Resta que, na prática, o cumprimento real da trégua será testado nas próximas horas e dias. Se entendermos as relações internacionais como uma partitura de movimentos interdependentes, este é um momento em que cada peça — diplomática, militar e mediadora — precisa obedecer a uma disciplina coletiva para impedir que o tabuleiro se transforme em campo de uma escalada irreversível.