Frederiksen endurece postura após crise de Ceuta: “Se voltarem os fluxos migratórios, fecharemos as fronteiras”
Frederiksen anuncia medidas duras após crise de Ceuta: Dinamarca pronta para intensificar ou fechar fronteiras se fluxos migratórios recomeçarem.
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Frederiksen endurece postura após crise de Ceuta: “Se voltarem os fluxos migratórios, fecharemos as fronteiras”
Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca, reafirmou hoje diante do Folketing uma linha de firmeza absoluta sobre a gestão migratória europeia. Em sessão extraordinária convocada para debater as imagens e consequências da crise em Ceuta, Frederiksen qualificou como “inquietantes” os relatos visuais provenientes da enclave espanhola e avisou que o governo está pronto a agir com rapidez se novos movimentos massivos de pessoas se reproduzirem pelo continente.
Em tom controlado, próprio de quem pensa em termos de estratégia de Estado, a primeira-ministra disse que “uma política migratória rigorosa é fundamental para a Dinamarca e para a Europa” e garantiu que o Executivo não hesitará “nem por um segundo” em adotar as medidas necessárias, incluindo o endurecimento dos controlos fronteiriços — até a sua eventual interrupção temporária — com a polícia encarregada de fiscalizar todas as entradas no país.
Segundo Frederiksen, os planos de emergência já estão elaborados e a intensificação dos controlos pode ser posta em prática “com poucas horas de antecedência”. Para a premiê, a existência do espaço Schengen não anula a soberania nacional sobre a ordem pública: “Se em algum Estado surgirem problemas — sejam de criminalidade ou fluxos de refugiados — a arma mais eficaz que temos na Dinamarca é o controlo das fronteiras”, declarou à imprensa, conforme noticiado pela TV 2 Nyheder. “Sou uma defensora convicta do controlo fronteiriço”, acrescentou.
A sessão do Parlamento dinamarquês ocorre no rastro da crise humanitária e diplomática desencadeada entre 30 e 31 de julho, quando cerca de 80 mil pessoas provenientes do Marrocos chegaram a Ceuta. O episódio reacendeu tensões sobre a gestão das fronteiras internas da União Europeia e sobre o próprio futuro do espaço Schengen.
As repercussões diplomáticas não se limitam ao estreito entre Madrid e Roma: o Governo italiano recusou inicialmente reabrir o espaço Schengen com a Espanha, medida que se mantém suspensa até, pelo menos, 15 de agosto, segundo as deliberações recentes. Em contrapartida, Madrid introduziu controles para viajantes vindos da Itália. Berlim, por sua vez, instou Roma a retomar os transferimentos dos chamados dublinantes, reabrindo um dossier que pode transformar a gestão dos fluxos num novo campo de disputa intraeuropeu.
Na tessitura política do continente, a postura de Frederiksen converge com a de outras lideranças sensíveis ao reforço dos mecanismos de retorno e à externalização parcial da gestão migratória. Em particular, a primeira-ministra dinamarquesa tem sido identificada como uma interlocutora preocupada com a criação de soluções que incluam centros de retorno em países terceiros, alinhando-se em vários pontos com posições defendidas por chefias governamentais na Europa meridional.
Ao abordar a relação da Dinamarca com a União Europeia nas áreas de justiça e assuntos internos, Frederiksen esclareceu que, no momento, “não existe nenhum plano” para convocar um referendo sobre o opt-out dinamarquês nesse domínio, preferindo manter um diálogo cauteloso e procedural com Bruxelas.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento calculado: mais do que retórica imediata, a declaração da premiê sinaliza um reposicionamento nas camadas de autoridade nacional que pode influenciar a arquitetura política da técnica de controle de fronteiras na Europa. Em termos de xadrez diplomático, a Dinamarca desloca uma peça essencial no tabuleiro, deixando claro que, se os fluxos se reativarem em massa, estará preparada para fechar linhas e reforçar os alicerces da sua segurança interna.
Marco Severini, Espresso Italia