Estreito de Hormuz reaberto: Macron reúne 'volenterosi' para missão pacífica pela liberdade de navegação
Macron reúne 'volenterosi' em Paris para garantir a reabertura pacífica do Estreito de Hormuz e preservar a liberdade de navegação.
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Estreito de Hormuz reaberto: Macron reúne 'volenterosi' para missão pacífica pela liberdade de navegação
Por Marco Severini, Espresso Italia
Em um movimento que resemble um lance calculado em um tabuleiro de xadrez geopolítico, Paris sediou em 17 de abril de 2026 a cimeira dos chamados volenterosi — uma coalizão internacional destinada a restaurar a ordem e a liberdade nas rotas marítimas do Golfo. A iniciativa, convocada pelo presidente francês Emmanuel Macron, reuniu presencialmente líderes europeus de alto nível — entre eles a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o chanceler alemão Friedrich Merz — e virtualmente cerca de cinquenta países e organizações internacionais.
Fontes do Palácio do Eliseu informaram que, nesse conjunto, estavam representados mais de trinta chefes de Estado e de governo, ao lado de delegações do Médio Oriente, da Ásia e da América Latina. A presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a Alta Representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, participaram por videoconferência, sublinhando o papel da União Europeia neste esforço coordenado.
O encontro foi marcado pela confirmação da reabertura do Estreito de Hormuz — simbolizada pela travessia das primeiras embarcações — e pela formulação de exigências claras: a retomada imediata, incondicional e plena da passagem, o respeito ao direito do mar e a rejeição a qualquer tentativa de privatizar o estreito ou de impor um sistema de pagamento para o trânsito naval. "Pedimos a plena reabertura, imediata e incondicional, de todas as partes", afirmou Macron ao sintetizar o propósito da reunião dos volenterosi.
Em linguagem técnica e estratégica, a presidenta da Comissão enfatizou o contributo operativo da UE, destacando a partilha de dados satelitais através da Agência Europeia para a Segurança Marítima (EMSA), o reforço da Operação Aspides e um aprofundamento das parcerias com países do Médio Oriente e do Golfo. Von der Leyen também pontuou que medidas de conectividade alternativas podem aliviar a pressão sobre as rotas estreitas e reduzir vulnerabilidades logísticas.
Por sua vez, Kaja Kallas advertiu, com a firmeza de quem conhece os alicerces do direito internacional, que qualquer esquema de pagamento pelo trânsito estabeleceria um precedente perigoso para as rotas marítimas globais. "O trânsito através de vias como o Estreito de Hormuz deve permanecer aberto e gratuito", escreveu a alta representante, recordando que a liberdade de navegação é um pilar do direito marítimo.
Notavelmente, os Estados Unidos estiveram ausentes do encontro presencial, fato que realça uma redistribuição — ainda que momentânea — de responsabilidades entre aliados e parceiros. A cena em Paris configura um redesenho de fronteiras invisíveis na governança marítima: enquanto atores europeus e uma coligação ampla mobilizam meios civis e de segurança, o objetivo declarado é uma missão de caráter pacífico, de salvaguarda das rotas comerciais e da estabilidade regional.
Como analista, observo que este movimento combina diplomacia de alto nível e arquitetura operacional: a iniciativa visa criar condições técnicas e legais para restaurar a normalidade, evitando escaladas e preservando a integridade do comércio mundial. No tabuleiro da diplomacia, trata-se de um lance para assegurar corredores vitais sem projetar hegemonia, mas reafirmando que o respeito ao direito do mar permanece um alicerce não negociável.