Incêndio nas Hautes Fagnes: fogo 'circundado' mas frente junto à Alemanha ainda preocupa

Bombeiros cercam o maior incêndio das Hautes Fagnes (Bélgica); reativações e frente junto à Alemanha mantêm risco e evacuações.

Incêndio nas Hautes Fagnes: fogo 'circundado' mas frente junto à Alemanha ainda preocupa

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Incêndio nas Hautes Fagnes: fogo 'circundado' mas frente junto à Alemanha ainda preocupa

Na noite passada os bombeiros belgas conseguiram circundar o maior incêndio florestal registrado na Bélgica no último século, concentrando esforços sobre a reserva natural das Hautes Fagnes. Apesar do avanço tático, as autoridades mantêm um diagnóstico de campo cauteloso: vários focos se reativaram durante a noite e a situação no terreno permanece complicada, informaram em coletiva.

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O porta-voz da unidade de crise, Tony Hosmans, afirmou que o incêndio "foi circundado" e que não se está movendo em direção à Alemanha, mas salientou que o objetivo imediato é pôr o fogo sob controle, "se possível com o apoio aéreo". A ofensiva decisiva para cercar as chamas foi lançada na terça-feira, apesar de ventos e chuvas que limitaram as operações aéreas de suporte.

O incêndio consome extensas áreas de turfeiras, pinhais e trilhas de caminhada. No fim de semana o fogo alcançou uma superfície comparável à metade da ilha de Manhattan. Centenas de bombeiros trabalham em turnos contínuos para conter a frente, numa operação que tem rosto local e braço multinacional.

O porta‑voz do governo regional, Nicolas Yernaux, declarou à AFP que "estamos tentando circundar definitivamente o incêndio hoje" e que, nas zonas onde foi possível intervir, o fogo está "sob controle e contido". Permanece, porém, um setor de difícil acesso na direção da fronteira com a Alemanha, que inspira maior preocupação operacional.

Alguns residentes da cidade fronteiriça de Monschau receberam ordens de evacuação devido à densidade do fumo. Durante a noite os bombeiros trabalharam para estabelecer uma ligação decisiva entre os frontes leste e norte; Yernaux avaliou que faltam "um ou dois quilômetros" para fechar esse corredor, apesar dos "ventos sustentados" soprando em direção ao território alemão.

Forças aéreas antincêndio de vários países foram mobilizadas: além de equipamentos da Alemanha, da Suécia e dos Países Baixos, dois helicópteros noruegueses chegaram na segunda-feira à noite. Contudo, as aeronaves foram repetidamente obrigadas a permanecer no solo pela presença de nuvens baixas e pela chuva, que comprometeram a efetividade do apoio aéreo.

Uma densa nuvem de fumaça amarelada cobriu uma vasta área, sendo as exalações detectadas até o leste da França, onde as autoridades emitiram alertas de poluição do ar. A emergência obrigou à evacuação de um vilarejo belga e de duas aldeias de um segundo município; moradores de Sourbrodt receberam permissão para retornar às residências na madrugada de segunda para terça.

O incêndio nas Hautes Fagnes surge num momento em que a Europa enfrenta semanas de incêndios alimentados por secas e por um verão de calor recorde. França, Grécia, Portugal e Espanha também reportam grandes fogos. Na semana passada, temperaturas locais chegaram a 37 ºC, criando condições favoráveis à propagação de chamas.

Historicamente, a área atingida já havia sofrido com incêndios de grande escala em 1911. Do ponto de vista estratégico, este fogo representa mais do que um desafio logístico: é um teste à coordenação transfronteiriça e à capacidade europeia de gerir crises ambientais em corredores sensíveis. Em termos de geopolítica prática — pensando em termos de tabuleiro —, cada quilômetro ganho pelos bombeiros é um movimento defensivo para proteger infraestruturas, populações e os alicerces frágeis da cooperação local.

Enquanto a noite avança, a prioridade das autoridades permanece a contenção dos focos reativados, a proteção das populações em risco e a coordenação internacional dos meios aéreos e terrestres. O quadro meteorológico e a inacessibilidade de certos frontes continuam a ditar o ritmo das operações, exigindo paciência estratégica e disciplina tática dos comandantes no terreno.

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