Incêndio nas High Fens: o maior fogo do século na Bélgica é declarado sob controle

Incêndio nas High Fens, o maior da Bélgica em um século, é declarado sob controle após sete dias; operações de resfriamento prosseguem.

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Incêndio nas High Fens: o maior fogo do século na Bélgica é declarado sob controle

Por Marco Severini — Depois de sete dias de combate intenso, o incêndio florestal mais vasto registrado na Bélgica no último século foi declarado sob controle pelas autoridades regionais. O fogo consumiu extensas áreas da reserva natural das High Fens, um mosaico frágil de turfeiras, pinhais e passarelas de madeira, deixando um traço profundo na paisagem e na cartografia ambiental da fronteira belga-alemã.

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Segundo o gabinete do governador local, “a esta altura o incêndio está completamente sob controle e não deverá mais se alastrar”, salvo mudanças climáticas significativas ou outros fatores imprevistos. A declaração chega após horas de esforço coordenado, em condições meteorológicas adversas, quando as chamas chegaram a cobrir uma área equivalente a metade de Manhattan.

Equipes de combate a incêndio lutaram contra focos que ressurgiam durante a noite, suportando ventos fortes que varreram a região limítrofe com a Alemanha. Relatos apontam a ocorrência de um pequeno tornado em uma localidade próxima ao parque — um exemplo da violência atmosférica que acompanhou o sinistro. Ainda assim, o front ocidental foi completamente contido; as operações continuam no setor oriental para garantir a extinção total.

O esforço internacional incluiu sete aeronaves de lançamento de água provenientes de Alemanha, Noruega, Bélgica e Suécia, atuando dentro e ao redor do perímetro queimado, onde as temperaturas de superfície permaneceram extremamente elevadas. Aeronaves que ficaram no solo devido ao mau tempo no início da semana voltaram a operar, e drones da proteção civil assumiram a vigilância contra possíveis reignições ao cair da tarde.

A perspectiva das autoridades é pragmática: mesmo com o controle do incêndio, serão necessárias semanas, se não meses, de operações de ensopamento e saturação do solo para evitar reativações em turfeiras ainda quentes. Cerca de 350 bombeiros e outros socorristas seguem engajados nas ações, apoiados por voluntários e agricultores mobilizados desde o primeiro dia.

As ordens de evacuação foram revogadas na quarta-feira, permitindo que habitantes de várias vilas belgas e de uma localidade fronteiriça alemã regressem às suas casas. O contingente de bombeiros alemães começará a se retirar durante a quinta-feira, substituído por equipes belgas, incluindo voluntários locais.

A morfologia singular das High Fens — com áreas pantanosas, turfeiras profundas e passarelas elevadas — tornou o combate mais complexo e perigoso. As causas do incêndio permanecem desconhecidas. Historicamente, a região já fora devastada por incêndios de grande porte em 1911, durante outra fase extrema de calor; trata-se agora do maior incêndio florestal do país desde então.

Este episódio é parte de um padrão maior: a Europa vem sofrendo semanas de incêndios alimentados pela seca e por um verão anomalo. Países como França, Grécia, Portugal e Espanha enfrentam simultaneamente frontes de grande magnitude, desenhando, sobre o tabuleiro geopolítico e ambiental, um redesenho de fronteiras invisíveis entre segurança, gestão de risco e resiliência territorial.

Do ponto de vista estratégico, o sucesso em estabilizar o fogo é um movimento decisivo no tabuleiro: preserva infraestruturas vitais e reduz riscos humanitários imediatos, mas evidencia os alicerces frágeis da diplomacia climática e da preparação operacional diante de eventos extremos.

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