Incêndio em Salamina: duas mortes, casas destruídas e evacuações em massa

Incêndio em Salamina causa duas mortes, destrói casas e força evacuações; ventos fortes e alerta Red Code mobilizam 146 bombeiros e aeronaves.

Incêndio em Salamina: duas mortes, casas destruídas e evacuações em massa

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Incêndio em Salamina: duas mortes, casas destruídas e evacuações em massa

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha temporariamente o equilíbrio local, um violento incêndio deflagrado na manhã de domingo atingiu a ilha de Salamina, na costa da Ática, deixando um saldo trágico e impondo evacuações em larga escala. As chamas, impulsionadas por ventos fortes, propagaram-se com velocidade, forçando autoridades a emitir ordens de saída e a mobilizar recursos consideráveis.

Segundo o Corpo de Bombeiros grego, dois corpos foram encontrados no interior de uma residência no povoado de Peristeria. Testemunhas locais indicam que se trataria de dois idosos que não conseguiram abandonar a moradia a tempo. O sistema de emergência 112 foi ativado e enviou alertas à população para desocupar as áreas ameaçadas.

O fogo se desenvolveu ao menos em dois focos principais, nas zonas de Peristeria e Selinia. Diversas casas foram afetadas — algumas consumidas pelas chamas — e numerosos moradores recorreram ao Centro de Saúde da ilha por queimaduras e problemas respiratórios.

A resposta à crise envolveu um dispositivo robusto: 146 bombeiros, nove equipes da 1ª Unidade Especial para Operações Florestais (EMODE), dezenas de viaturas terrestres, numerosos voluntários, quatro aeronaves e três helicópteros. Também atuaram caminhões-pipa do município de Salamina. Diante da gravidade, as ordens de evacuação foram sendo intensificadas: às 14:55 o 112 enviou um primeiro alerta para a área mais ampla, e às 15:05 orientou moradores de Peristeria e do Aias Club a deslocarem-se rumo a Aiantio.

As condições meteorológicas complicaram decisivamente as operações. Ventos com força 7 na escala de Beaufort favoreceram a rápida propagação do fogo, transformando pontos isolados em frentes conflagradas. Salamina constava, naquele dia, na categoria 4 — risco muito elevado — no mapa diário da Proteção Civil grega. O alerta máximo, o conhecido Red Code, cobria ainda a região da Ática e outras áreas como Citera, Beócia, Eubeia, Skyros, as Cíclades e a ilha de Creta.

Este episódio insere-se num padrão mais amplo de fenómenos extremos na Grécia: no sábado, a Mani Oriental, no Peloponeso meridional, sofreu chuvas torrenciais que provocaram inundações e danos significativos. As precipitações transformaram estradas em cursos d'água, exigindo resgates de motoristas presos em automóveis. O vice-prefeito de Proteção Civil da Mani, Giorgos Exarchakos, classificou o episódio como sem precedentes para a região, com impactos em Nymfi, Exonymfi, Kokkala e Lagia, sobretudo na malha viária e em residências.

Do ponto de vista estratégico, o incêndio em Salamina representa um teste para os alicerces da logística de emergência e para a coordenação interinstitucional. Em um tabuleiro onde o vento age como um cavalo imprevisível, as autoridades precisaram mover-se com rapidez e precisão para limitar a propagação e proteger vidas. A tragédia das duas mortes reforça a necessidade de políticas preventivas e de uma cartografia de risco que antecipe fronteiras invisíveis do fogo.

As investigações sobre a origem das chamas e a avaliação dos danos seguem em curso. Enquanto isso, as equipes de resgate mantêm operações de socorro e contenção, e as comunidades locais tentam recompor-se diante de perdas materiais e humanas.

Marco Severini, analista sênior de geopolítica e estratégia internacional.