Kallas: Israel tem direito de se defender, mas deve cessar operações no Líbano, alerta para crise humanitária

Kallas reconhece o direito de defesa de Israel, mas pede cessar operações no Líbano diante da grave crise humanitária e denúncias de fósforo branco.

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Kallas: Israel tem direito de se defender, mas deve cessar operações no Líbano, alerta para crise humanitária

Bruxelas — Em uma avaliação sóbria da atual escalada entre Israel e forças no sul do Líbano, a Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, declarou que, ainda reconhecendo o direito de defesa de Israel, suas operações devem ser suspensas para evitar um desastre humanitário mais amplo.

Após uma semana de ataques que, segundo o Ministério da Saúde libanês, deixaram cerca de 486 mortos e 1.313 feridos, Kallas advertiu que a atual dinâmica de represálias — deflagrada em resposta às ações do Hezbollah em apoio ao Irã — corre o risco de transformar o Líbano em um novo e trágico front da região. Na sua leitura estratégica, este é um movimento que pode redesenhar fronteiras invisíveis de influência e agravar uma tectônica de poder já frágil.

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Organizações internacionais também elevaram o tom das críticas. A Human Rights Watch reportou o uso de munição de fósforo branco, alegadamente empregada por forças israelenses em 3 de março de 2026 na cidade de Yohmor, no sul libanês. Por ser uma arma incendiária cujo emprego contra civis configura crime de guerra segundo convenções internacionais, o episódio acrescenta carga criminal e humanitária ao tabuleiro.

Em videoconferência com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro português António Costa, o presidente libanês alertou para o drama dos deslocamentos: mais de 600 mil deslocados, muitos a céu aberto, sem abrigo e privados de serviços básicos. Em resposta, foi ativado o instrumento europeu ReliefEU para apoiar cerca de 130 mil pessoas, com um primeiro voo humanitário programado para 10 de março.

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Na formulação pública de Kallas, há uma linha nítida entre condenar o ataque inicial do Hezbollah — que, nas palavras da chefe da diplomacia europeia, coloca em risco toda a região — e reconhecer que a reação de Israel tem sido forte e desestabilizadora. “A decisão de Hezbollah de atacar Israel a favor do Irã torna a organização, como todos os 'proxy' que se unem a uma guerra, um alvo legítimo”, observou Kallas, mas acrescentou que as operações israelenses estão resultando em graves consequências humanitárias e em enormes deslocamentos de civis.

O apelo de moderação via diplomacia foi levado também ao nível bilateral: Emmanuel Macron entrou em contacto com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pedindo um cessar-fogo e a imediata suspensão das operações militares em território libanês — uma mensagem alinhada com a posição da UE e que procura, com prudência de xadrez, conter um movimento que poderia abrir frentes incontornáveis.

Como analista atento aos imperativos da estabilidade regional, vejo duas prioridades urgentes no curto prazo: primeiro, frear a escalada militar para proteger civis e infraestruturas; segundo, estabelecer canais de contenção que impeçam a internacionalização do conflito. A situação exige medidas que preservem os alicerces frágeis da diplomacia, combinando pressão política sobre atores envolvidos e apoio humanitário imediato.

Marco Severini
Espresso Italia — Análise geopolítica e estratégia internacional

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