Pedidos de asilo na UE caem 22% em maio de 2026; Itália lidera número de solicitações
Pedidos de asilo na UE caem 22% em maio de 2026; Itália lidera solicitações e Grécia registra maior taxa per capita. Análise de Marco Severini.
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Pedidos de asilo na UE caem 22% em maio de 2026; Itália lidera número de solicitações
Bruxelas – Os últimos dados do Eurostat, divulgados em 14 de agosto de 2026, apontam que em maio foram apresentadas 42.525 primeiras solicitações de proteção internacional na UE. Trata‑se de uma queda de 22% em relação a maio de 2025 (54.765) e de 2% face a abril de 2026 (43.360). Este movimento reflete uma desaceleração geral das chegadas registradas nas estatísticas comunitárias.
As segundas instâncias — pedidos apresentados por requerentes que já haviam registrado solicitação anterior — também mostraram retração mensal: foram 8.050 em maio, praticamente estáveis em comparação a maio de 2025 (8.075), mas em queda de 12% em relação a abril de 2026 (9.150).
No capítulo dos países de origem, permanece o Venezuela no topo: 4.465 venezuelanos apresentaram pela primeira vez pedido de proteção internacional em maio. Seguem-se cidadãos do Afeganistão (3.425), do Bangladesh (2.860) e do Sudão (1.690). Em comparação a abril, as solicitações venezuelanas caíram (de 4.875 para 4.465), as afegãs também diminuíram (de 3.830 para 3.425), enquanto as vindas de Bangladesh aumentaram (de 2.630 para 2.860).
Quanto à distribuição geográfica dentro da União, quatro Estados‑membros concentraram cerca de três quartos de todas as primeiras solicitações em maio: Itália (10.660), Espanha (7.945), França (7.180) e Alemanha (5.965). Importante lembrar que, apesar de captar o maior número absoluto, a Itália também apresenta um índice elevado em termos per capita, sublinhando a pressão persistente nas rotas do Mediterrâneo.
Observando a evolução mensal, a Itália registrou um aumento significativo, de 9.710 pedidos em abril para 10.660 em maio. Em contrapartida, França e Alemanha reduziram as entradas (França: de 8.645 para 7.180; Alemanha: de 6.140 para 5.965). A Espanha também teve decréscimo, de 8.350 para 7.945.
No agregado da União, a taxa foi de 9,4 primeiras solicitações por 100.000 habitantes em maio, ligeiramente abaixo das 9,5 de abril. Levando em conta as populações em 1º de janeiro de 2026, o índice mais alto coube à Grécia (34,8 por 100.000), seguida pela Itália (18,1) e Irlanda (17,8).
Uma categoria que merece atenção humanitária e política são os menores não acompanhados: em maio, 945 jovens apresentaram pela primeira vez pedido de proteção internacional na UE, um leve aumento face aos 930 de abril. Esse número, embora moderado, é sintomático dos fluxos mistos e dos desafios de acolhimento e proteção para grupos vulneráveis.
Do ponto de vista estratégico, estes dados compõem um quadro de movimentos e contra‑movimentos no tabuleiro migratório europeu: há um redesenho sutil das rotas e das pressões nacionais, com a Itália recuperando protagonismo num cenário em que as bases da diplomacia migratória e os mecanismos de repartição de encargos continuam frágeis. O declínio global dos pedidos não invalida tensões locais e a necessidade de respostas coordenadas entre Estados‑membros e parceiros de origem e trânsito.
Em suma, os números de maio de 2026 confirmam uma desaceleração estatística, mas mantêm acesa a urgência de reformas estruturais na política de asilo da UE — um tabuleiro onde cada movimento nacional implica resposta coletiva e recalibragem das alianças políticas e humanitárias.