Prisão em Croácia reacende investigação sobre sabotagem do Nord Stream

Prisão em Croácia de Volodymyr Z. reativa investigação alemã sobre o atentado aos gasodutos Nord Stream em 2022.

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Prisão em Croácia reacende investigação sobre sabotagem do Nord Stream

Por Marco Severini — Um novo capítulo se abre no intricado processo que envolve o atentado aos gasodutos Nord Stream. As autoridades croatas detiveram em Pula o cidadão ucraniano identificado como Volodymyr Z., procurado pela Alemanha através de um mandado de detenção europeu.

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Segundo a Procura Federal Alemã, Volodymyr Z. é um sommozzatore (mergulhador) com treino especializado, apontado como integrante do grupo que planejou e executou a operação contra as infraestruturas energéticas no Mar Báltico em 26 de setembro de 2022. As acusações enumeram participação na provocação de uma explosão por meio de um dispositivo, sabotagem e destruição de infraestruturas críticas.

O novo detido já havia sido preso em solo polonês em 2025, mas, à época, a solicitação de extradição formulada por Berlim foi rejeitada e ele retornou à liberdade. A captura agora em território croata representa um avanço processual para a investigação alemã, que solicita sua entrega e aguarda sua apresentação perante um juiz instrutor do tribunal federal responsável. Este movimento processual é parte de uma estratégia persistente de Berlim, que manteve a investigação quando outros países optaram por arquivar seus procedimentos.

Não se trata de um caso isolado de cidadãos ucranianos ligados ao inquérito: em 2025, foi detido na Itália o ex-oficial Serhii K., considerado pelos investigadores como possível coordenador da ação. Após extradição para a Alemanha, a Procuradoria Federal ofereceu em junho de 2026 a primeira acusação formal no caso Nord Stream. O teor do processo aponta que Serhii K. teria organizado e dirigido uma célula encarregada da destruição dos gasodutos, composta por mergulhadores especialistas, um skipper e um perito em explosivos, possivelmente agindo sob encomenda de autoridades estatais ucranianas — alegação que permanece no âmbito investigativo e que o acusado rejeita.

As explosões de 26 de setembro de 2022 danificaram gravemente três das quatro condutas das infraestruturas, lançando enormes volumes de gás ao mar e provocando um choque de natureza econômica e geopolítica. Embora Nord Stream 1 já estivesse paralisado e Nord Stream 2 nunca tenha entrado em operação, a destruição das linhas reordenou, simbolicamente, os alicerces do fornecimento energético europeu.

Enquanto Suécia e Dinamarca arquivaram suas apurações, a Alemanha manteve a coleta de provas e a identificação de suspeitos. A reconstrução investigativa alemã concentra-se na embarcação à vela denominada Andromeda, que teria sido utilizada para acessar a área do ataque. Segundo os elementos reunidos, a operação teria implicado o transporte de pessoal e material até a zona marítima, com o emprego de mergulhadores para posicionar cargas explosivas junto às condutas.

Do ponto de vista estratégico, esse episódio continua a representar um movimento decisivo no tabuleiro da segurança energética europeia e recalibra a tectônica de poder entre Estados, serviços e atores não estatais. A detenção em Pula não fecha o caso; ao contrário, reabre janelas processuais e diplomáticas que podem conduzir a um redesenho de responsabilidades e a novas linhas de investigação. A estabilidade das rotas de energia permanece, assim, um dos alicerces mais frágeis da diplomacia contemporânea.

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