Queda dos preços de gás e eletricidade para empresas na segunda metade de 2025, aponta Eurostat
Eurostat: preços de gás e eletricidade para empresas caíram na 2ª metade de 2025; gás -8,3% e eletricidade -3,5% na UE.
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Queda dos preços de gás e eletricidade para empresas na segunda metade de 2025, aponta Eurostat
Por Marco Severini — Bruxelas. Os custos de eletricidade e gás para consumidores não domésticos — isto é, empresas, comércios, escritórios e transporte público — registraram queda na segunda metade de 2025, segundo dados divulgados hoje pelo Eurostat. Trata‑se de um movimento que redefine temporariamente alguns alicerces da tensão energética que vinha marcando o perímetro econômico europeu.
De julho a dezembro de 2025 o preço médio da eletricidade na União Europeia foi de 18,37 euros por 100 kWh, uma redução de 3,5% em relação aos 19,03 euros verificados no primeiro semestre do ano. O gás, por sua vez, apresentou queda mais acentuada: o preço médio passou de 6,60 euros para 6,05 euros por 100 kWh, uma retração de 8,3% após um período de preços relativamente estabilizados.
O instituto de estatística europeu vincula parte desse deslocamento a um efeito conjunto de fatores geopolíticos e medidas de mitigação do chamado "caro‑energia": entre eles, a escalada militar no Golfo no final de fevereiro, com operações conduzidas por Estados Unidos e Israel no Irã, que paradoxalmente alteraram expectativas e dinâmica de curto prazo nos mercados energéticos. Em termos de realpolitik, foi um movimento que alterou a configuração do tabuleiro, gerando volatilidade mas também espaço para recomposição de fontes e contratos.
Na comparação regional, os preços de eletricidade mais elevados na segunda metade do ano foram observados na Irlanda (25,52 euros/100 kWh), em Chipre (24,29 euros) e na Alemanha (22,64 euros). Os menores níveis se concentraram na Finlândia (7,48 euros) e na Suécia (9,70 euros). Para o gás, os picos ficaram na Suécia (10,65 euros/100 kWh), Finlândia (8,63 euros) e Alemanha (7,13 euros); já os valores mais baixos apareceram na Bulgária (4,14 euros), Grécia (4,24 euros) e em Portugal e Bélgica (4,81 euros em cada).
A Itália acompanhou a tendência de queda: os preços do gás recuaram mais de 9% no período, enquanto a eletricidade registrou uma redução em torno de 3%. Ainda que nosso país não figure entre os que mais reduziram os custos, a desaceleração é relevante para setores industriais e de serviços que dependem intensamente da energia.
Do ponto de vista estratégico, esses dados refletem tanto a sensibilidade das cadeias de abastecimento energéticas às convulsões geopolíticas quanto a capacidade dos atores europeus de jogar peças defensivas no tabuleiro — contratos de curto prazo, estoques, menor demanda sazonal e políticas de desconto setoriais — que amorteceram parte do choque. É prematuro, contudo, falar em estabilidade duradoura: as tensões no Golfo e as incertezas sobre rotas de suprimento mantêm a tectônica de poder instável.
Em suma, para empresas e serviços europeus a segunda metade de 2025 trouxe um alívio tangível nas faturas de energia. Resta observar se essas reduções consolidarão um novo padrão de preços ou se serão apenas um movimento passageiro no grande jogo energético internacional.