Rendimento das famílias cresce mais no Sul da Itália em 2024, mas disparidade per capita permanece

Rendimento disponível cresce mais no Sul da Itália em 2024, mas o rendimento per capita do Norte ainda supera o Sul em cerca de 50%.

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Rendimento das famílias cresce mais no Sul da Itália em 2024, mas disparidade per capita permanece

Bruxelas — Uma leitura atenta dos dados de 2024 confirma um movimento econômico que remodela, ainda que de forma assinalável, a geografia social italiana: o rendimento disponível das famílias registrou um aumento mais forte no Mezzogiorno do que no Centro-Nord do país. Segundo a análise do Unioncamere–Centro Studi Guglielmo Tagliacarne sobre as estimativas para 2024, a variação positiva no Sul foi de +3,38%, contra +2,84% registrada no conjunto das demais regiões em comparação com 2023.

Na fotografia dos territórios, emergem movimentos contrastantes: seis províncias meridionais ocupam lugares de destaque entre as dez primeiras no ranking nacional de crescimento — um resultado que desafia estereótipos e aponta para uma tectônica de poder em mudança sobre o tabuleiro econômico. No topo da lista geral, porém, figuram Rimini (+5,78%), Ragusa (+5,55%) e Veneza (+4,95%). Entre os territórios que mostram sinais de fragilidade relativa estão Prato (-0,13%), Imperia (-0,03%) e Ancona (+0,36%).

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Apesar do avanço recente no Sul, as distâncias estruturais permanecem profundas: o rendimento per capita no Norte supera em cerca de 50% o do Meridione. No pódio nacional do rendimento per capita estão Milão com €36.188 por habitante, seguida por Bolzano (€32.680) e Monza e Brianza (€30.182). No extremo oposto, fechando a tabela, aparecem Foggia (€14.953), Agrigento (€15.059) e Caserta (€15.288).

O conceito de rendimento disponível das famílias utilizado pelo estudo refere-se à diferença, num determinado ano, entre entradas — salários, rendimentos de capital, prestações sociais, rendas de propriedade — e saídas — impostos, contribuições, remessas e outras despesas obrigatórias — de agregados familiares residentes num dado território. O rendimento disponível per capita é calculado pela razão entre o total do rendimento disponível e a média da população do ano de referência.

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“A cartografia do rendimento disponível nos oferece um quadro articulado que, por um lado, desmente o estereótipo de um Sul estático frente a um Norte dinâmico e, por outro, revela geografias inéditas”, declarou Gaetano Fausto Esposito, diretor-geral do Centro Studi Tagliacarne. Em sua avaliação estratégica, entre 2023 e 2024 seis províncias do Mezzogiorno figuram entre as dez primeiras em termos de crescimento, enquanto nove províncias do Centro-Norte aparecem entre as últimas dez.

Esposito sublinha, contudo, que a vantagem relativa do Sul no ritmo de crescimento não apaga as fragilidades: o rendimento disponível per capita no Meridione permanece inferior em cerca de 23 pontos percentuais à média nacional. Além disso, a componente salarial — que sustenta a capacidade de consumo e a dinâmica demográfica — apresenta um hiato de aproximadamente vinte pontos percentuais em relação ao resto do país.

Outro elemento estruturante do mapa socioeconômico italiano é o papel das cidades metropolitanas. Estas confirmam-se como verdadeiros hubs de potencialidade: possuem rendimento per capita em torno de 14% superior às demais províncias, efeito que decorre de retribuições mais elevadas — quase um terço maiores — associadas à concentração de atividades diretivas e a um custo de vida mais alto. Em termos de estratégia política e econômica, essa centralidade metropolitana atua como um alicerce que reforça o desenho das desigualdades regionais.

Em suma, os dados de 2024 descrevem um movimento de redistribuição de ritmos no território italiano, com o Mezzogiorno a ganhar terreno em termos de crescimento do rendimento disponível, mas sem ainda alterar as profundas assimetrias per capita que estruturam o país. É um jogo de xadrez em que avanços pontuais no tabuleiro não eliminam, por enquanto, as linhas de força consolidadas ao longo de décadas.

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