Em Estrasburgo, primeiros agraciados com a Ordem Europeia ao Mérito reforçam o projeto europeu

Em Estrasburgo, 20 líderes e figuras públicas foram agraciados com a Ordem Europeia ao Mérito em cerimônia que reafirma os valores e a coesão da UE.

Em Estrasburgo, primeiros agraciados com a Ordem Europeia ao Mérito reforçam o projeto europeu

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Em Estrasburgo, primeiros agraciados com a Ordem Europeia ao Mérito reforçam o projeto europeu

Estrasburgo — Em uma cerimônia solene no hemiciclo do Parlamento Europeu, foram hoje (19 de maio) agraciados os primeiros recipiendários da Ordem Europeia ao Mérito, iniciativa destinada a reconhecer contributos notáveis para a integração europeia e para os valores fundamentais da União. Treze dos vinte condecorados compareceram ao plenário, recebendo o colar da Ordem das mãos da presidente da Eurocâmara, Roberta Metsola, e da presidente da Comissão, Ursula von der Leyen.

A cerimônia contou ainda com a presença dos membros do comitê de seleção da Ordem e da viceministra cipriota para os Assuntos Europeus, Marilena Raouna, em representação da presidência do Conselho da UE. No início do ato, Metsola evocou a natureza construída e frágil do projeto europeu: “A Europa não nos foi entregue. Foi construída tratado após tratado, crise após crise, por pessoas que escolheram a solidariedade em vez da divisão e a cooperação em vez do interesse particular”. Em tom assertivo, acrescentou que a condecoração visa prestar homenagem a quem “escolhe construir a Europa” e que “a Europa dura apenas enquanto cada geração optar por defendê‑la”.

O encontro reuniu figuras cuja trajetória é parte do mapa político e institucional do continente. Entre os ilustres presentes estavam a ex‑chanceler alemã Angela Merkel e o antigo líder de Solidarność e ex‑presidente da Polónia, Lech Wałęsa. Entre os membros honoráveis no plenário constavam Jerzy Buzek, Aníbal Cavaco Silva, o cardeal e secretário de Estado do Vaticano Pietro Parolin, a presidente da Moldávia Maia Sandu, o ex‑chanceler austríaco Wolfgang Schüssel, Javier Solana e Jean‑Claude Trichet.

Foram também reconhecidos como membros da Ordem destacados nomes da sociedade civil e do mundo académico: Marc Gjidara, Sandra Lejniece, Oleksandra Matviichuk e Viviane Reding. O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky foi admitido como membro insigne, num gesto que simboliza, no tabuleiro estratégico europeu, o apoio político e moral às instituições democráticas sob pressão.

Além dos dirigentes institucionais e dos académicos, a lista de agraciados inclui personalidades cujas ações combinam diplomacia pública e impacto humanitário: o chef e fundador da ONG World Central Kitchen, José Andrés, o atleta Giánnis Antetokoúnmpo e os integrantes da banda U2 (Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr.). Outros nomes de honra citados foram Valdas Adamkus, Sauli Niinistö e Mary Robinson.

O reconhecimento público constituiu, além de um tributo individual, um movimento simbólico no grande tabuleiro geopolítico: reforça narrativas de coesão e projeta a UE como guardiã de normas e solidariedade. Durante o question‑time que se seguiu, representantes lembraram as crises que continuam a testar os alicerces da diplomacia europeia, com referências explícitas à guerra na Ucrânia e ao agravamento do conflito no Médio Oriente — temas que moldam, hoje, o desenho invisível das linhas de influência.

Como analista, observo que esta cerimônia não é apenas um momento cerimonial. É um gesto calculado de afirmação de liderança normativa: atribuir honra pública a atores políticos, civis e culturais é um método de consolidar uma arquitetura de valores que sustenta a ação externa e interior da União. Em termos de estratégia, trata‑se de reforçar alianças e de mapear legitimidades numa tectónica de poder em mutação, onde cada nome conferido atua como peça que realinha percepções e expectativas.

Na tranquila grandiosidade do hemiciclo, entre bandeiras e discursos, a UE enviou uma mensagem clara: a construção europeia continua a depender da vontade coletiva das suas elites e das suas sociedades, e a Ordem Europeia ao Mérito nasce como instrumento simbólico para preservar essa vontade ao longo das gerações.