UE estuda aumento de impostos sobre cigarros e taxação de e-cigarettes: impacto na saúde e no mercado
UE avalia aumento de impostos sobre cigarros e taxação de e-cigarettes para reduzir consumo e combater comércio ilícito. Participe do nosso levantamento.
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UE estuda aumento de impostos sobre cigarros e taxação de e-cigarettes: impacto na saúde e no mercado
Por Marco Severini — A Comissão Europeia colocou sobre o tabuleiro uma proposta que pode redesenhar fronteiras invisíveis na regulação do consumo de nicotina: o aumento dos impostos sobre cigarros e a introdução de acises mínimas a nível europeu para os novos produtos de nicotina. A medida nasce de uma avaliação segundo a qual a atual diretiva de tributação se encontra desatualizada perante as mudanças rápidas do mercado.
Os números ilustram uma tectônica em transformação: embora a taxa de fumantes adultos na UE tenha caído de 28% para 24%, ainda cerca de 700 mil pessoas morrem por ano por doenças relacionadas ao tabaco na região. Ao mesmo tempo, o consumo desloca-se do cigarro tradicional para alternativas como os cigarros eletrônicos, dispositivos de tabaco aquecido (ex.: IQOS) e as bolsas de nicotina.
A proposta em análise prevê um aumento de 139% nas acises mínimas aplicáveis aos cigarros, a instituição, pela primeira vez, de impostos europeus sobre os novos produtos à base de nicotina e a extensão ao tabaco cru do sistema de tracciabilità da UE, com o objetivo de sufocar o comércio ilícito. É um movimento decisivo no tabuleiro: busca-se reduzir a atratividade econômica do produto e bloquear rotas do mercado negro que corroem os alicerces da diplomacia tributária.
Organizações de saúde alertam para o perfil ambíguo desses substitutos. A Organização Mundial da Saúde registra que, na região europeia, 11,6% dos jovens entre 13 e 15 anos consomem esses produtos. Médicos lembram que, embora exponham o usuário a menos compostos tóxicos do que o cigarro convencional, continuam a gerar dependência e vêm sendo promovidos por estratégias de marketing e redes sociais que miram especialmente os mais jovens.
Politicamente, a reforma é controversa e revela as complexas alianças no tabuleiro europeu. Em junho de 2026, o Parlamento Europeu não conseguiu aprovar um parecer não vinculante: uma proposta atenuada foi rejeitada por divisões sobre a extensão das reformas. O processo legislativo segue, porém, porque a tributação é decidida pelo Conselho da UE, onde os 27 Estados-membros devem alcançar a unanimidade — condição que transforma qualquer decisão em uma negociação de precisão arquitectônica.
Do ponto de vista estratégico, a questão não é meramente fiscal: trata-se de equilibrar saúde pública, receita estatal e controle de mercados ilícitos, mantendo ao mesmo tempo a coesão política entre capitais nacionais. A implantação prática da proposta testará a resistência dos alicerces fiscais europeus e a capacidade de coordenação entre governos com interesses divergentes.
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Enquanto isso, o movimento no tabuleiro continua: governos e instituições decidem se a escalada fiscal será o lance que freará o avanço da nicotina ou se novas estratégias serão necessárias para proteger gerações futuras.