Líderes da UE defendem a Corte Penal Internacional após novas sanções dos EUA

UE defende a Corte Penal Internacional após os EUA anunciarem sanções contra juízes que investigam ações de Israel em Gaza.

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Líderes da UE defendem a Corte Penal Internacional após novas sanções dos EUA

Por Marco Severini — Em um movimento que reacende tensões entre Washington e as instituições judiciais internacionais, os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, Ursula von der Leyen e António Costa, manifestaram solidariedade pública à Corte Penal Internacional (CPI), sediada em Haia, depois do anúncio de novas sanções por parte dos Estados Unidos contra magistrados encarregados de investigar possíveis crimes cometidos por Israel em Gaza.

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Em declaração conjunta, os dois líderes europeus sublinharam que a CPI desempenha um papel essencial ao levar justiça às vítimas de alguns dos crimes mais atrozes do mundo. "Para executar essa missão, juízes e funcionários da Corte devem trabalhar com plena independência e sem pressões externas", afirmaram, traçando uma defesa clara dos alicerces institucionais que sustentam a ordem jurídico-internacional.

Na terça-feira, o senador americano Marco Rubio anunciou a imposição de sanções contra a presidente da CPI, a japonesa Tomoko Akane, e o jurista senegalês Abdoulaye Seye, designados para investigar alegados crimes de guerra na guerra em Gaza. Rubio qualificou a Corte como um órgão "sovranacional corrompido e politizado" e afirmou que os Estados Unidos não tolerariam o que, segundo ele, seria um ataque à soberania dos Estados.

As declarações de Washington enfatizam que os dois funcionários teriam perseguido autoridades cujos governos não consentiram com a jurisdição da CPI. A controvérsia expõe uma tectônica de poder: a tensão entre a soberania estatal reivindicada por grandes atores e a autoridade normativa de tribunais internacionais.

Reagindo às medidas americanas, a CPI definiu as sanções como um "ataque flagrante" à sua independência. No campo diplomático europeu, os Países Baixos rejeitaram com vigor a decisão — o ministro das Relações Exteriores, Tom Berendsen, declarou que seu governo "desaprova" as sanções — e um porta-voz alemão reiterou o apoio de Berlim à Corte, lembrando que a instituição vem cumprindo seu mandato ao chamar os supostos responsáveis pelos crimes mais graves a responderem.

As medidas anunciadas em Washington integram uma sequência de ações destinadas a desacreditar a CPI, que já teve ao menos 11 altos funcionários sancionados anteriormente pelos Estados Unidos, incluindo o ex-procurador-chefe Karim Khan. Figuras políticas americanas chegaram a defender a retirada de Estados do Estatuto de Roma como forma de desmontar, peça por peça, a autoridade do tribunal.

Embora nem Israel nem os Estados Unidos sejam partes do Estatuto de Roma, a Palestina — membro desde 2015 — permite à Corte examinar supostos crimes cometidos em seu território, criando um quadro jurídico que, no tabuleiro geopolítico, altera linhas de influência e responsabilização.

No momento, todos os 27 Estados-membros da UE permanecem partes da CPI, mantendo-se assim como um bloco que, pelo menos oficialmente, sustenta a arquitetura multilateral de justiça penal internacional. Esta disputa recente é mais um movimento decisivo no tabuleiro global, um teste à resiliência dos alicerces da diplomacia jurídica e à capacidade das instituições supranacionais de operar sem coerção.

Em curto prazo, a crise colocará os Estados europeus diante de escolhas estratégicas: alinhar-se firmemente com Haia e defender a autonomia judicial global, ou buscar caminhos pragmáticos que preservem relações bilaterais com Washington sem sacrificar a credibilidade internacional da justiça de transgressões graves. No xadrez das relações externas, cada passo adiante é também uma configuração de risco e oportunidade para a estabilidade do sistema internacional.

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