Vitória avassaladora do AfD na Saxônia-Anhalt alarma igrejas: apelo ao respeito à Constituição
Igrejas alemãs alertam para riscos à coesão social após vitória do AfD na Saxônia-Anhalt e exigem respeito à Constituição.
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Vitória avassaladora do AfD na Saxônia-Anhalt alarma igrejas: apelo ao respeito à Constituição
Por Marco Severini — A vitória esmagadora do AfD nas eleições regionais da Saxônia-Anhalt ressoa muito além do parlamento regional: provocou um alerta formal das igrejas alemãs sobre os riscos à paz social e à convivência comunitária. Em um momento em que a tectônica de poder parece rearranjar-se como num movimento decisivo no tabuleiro, as instituições eclesiásticas elevaram sua voz com uma mescla de prudência histórica e preocupação estratégica.
Os bispos Friedrich Kramer e Gerhard Feige, juntamente com o presidente da igreja evangélica regional Karsten Georg Wolkenhauer, emitiram uma declaração conjunta — assinada pela diocese de Magdeburgo, pela Igreja Evangélica da Alemanha Central e pela Igreja Evangélica do Anhalt — em que avisam sobre as potenciais consequências da ascensão do AfD sobre a cultura, a educação, o trabalho comunitário, o voluntariado, os serviços sociais, as organizações de caridade e as próprias igrejas. A nota sublinha que esses setores formam alicerces frágeis da diplomacia social e que seu desgaste pode produzir um território mais polarizado.
"Nossa preocupação abrange também as consequências anunciadas pelo AfD que o resultado eleitoral terá sobre a cultura e a instrução, o trabalho comunitário e o voluntariado, os serviços sociais, as organizações beneficentes e as igrejas, bem como sobre a segurança interna e externa", afirmaram os dirigentes religiosos. "Como igrejas, temos uma longa história de resiliência; sobrevivemos a ditaduras e opressões, guerras e crises, e continuaremos a abrir nossas portas a todos que buscam proteção e paz, cura e orientação na presença de Deus."
O bispo de Magdeburgo, mons. Gerhard Feige, fez um apelo direto aos vencedores: "Exortamos os eleitos a respeitarem integralmente a Constituição do nosso país, a Lei Fundamental, e a defenderem a dignidade de todas as pessoas. Quem assume responsabilidade de governo assume também a responsabilidade por todos os cidadãos". É um pedido que, em termos geopolíticos e morais, coloca um contrapeso institucional diante de um possível redesenho de fronteiras invisíveis na política local.
Don Dirk Birgener, presidente da Missio-Aachen, ofereceu uma leitura sóbria dos resultados num editorial: uma explicação plausível para a vitória do partido populista de extrema-direita é o sentimento de abandono. "O Estado, os partidos, setores-chave dos serviços públicos e o engajamento cívico são frequentemente percebidos como ausentes", escreveu Birgener, acrescentando que essa percepção recrimina a Igreja sobre o papel que pode desempenhar em tais conjunturas.
A diocese de Magdeburgo conduziu uma ampla campanha durante a campanha eleitoral, promovendo valores como caridade, solidariedade e dignidade humana. Ainda assim, os esforços não impediram o avanço eleitoral do AfD. Entre as explicações possíveis está a posição minoritária da Igreja Católica na antiga Alemanha Oriental, fator que limita a sua capacidade organizativa local. Ainda assim, o reconhecimento público pelo trabalho realizado, inclusive diante de hostilidades, foi destacado como merecedor de gratidão.
Do ponto de vista estratégico, observa-se que os processos estruturais raramente são revertidos por simples campanhas: são necessários movimentos de longo prazo e reforço das instituições locais. As igrejas, ao combinar memória histórica e ação social, colocam-se como atores que apelam à estabilidade constitucional e ao respeito pelos direitos fundamentais — elementos essenciais para contrabalançar qualquer mudança abrupta na paisagem política.
Em resumo, a vitória do AfD em Saxônia-Anhalt é um alerta institucional. As igrejas pedem responsabilidades claras e um compromisso público com a Lei Fundamental, lembrando que a defesa da Constituição é, em última análise, a salvaguarda da convivência democrática.

