No Fondo Camilleri, homenagem sensorial a Piero Guccione: 'Racconti dello sguardo' em Roma

Fondo Andrea Camilleri em Roma celebra Piero Guccione com 'Racconti dello sguardo': seis obras em papel, vídeo e pastel, homenagem sensorial e íntima.

No Fondo Camilleri, homenagem sensorial a Piero Guccione: 'Racconti dello sguardo' em Roma

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No Fondo Camilleri, homenagem sensorial a Piero Guccione: 'Racconti dello sguardo' em Roma

Por Erica Santini — Ciao, viajante das artes. No coração de Roma, um encontro imaginário entre duas almas sicilianas ganha forma: o Fondo Andrea Camilleri inaugura a mostra-tributo Piero Guccione. Racconti dello sguardo, uma pequena e intensa seleção dedicada a um dos grandes nomes da pintura italiana do século XX.

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Embora Andrea Camilleri e Piero Guccione nunca tenham se conhecido pessoalmente, foi o desejo do escritor — expresso em vida — que inspirou as filhas a promover este diálogo sensorial. O resultado é um caminho íntimo, aberto ao público apenas por dois dias, que convida a saborear a história através de seis magníficas obras em papel.

As obras — pastéis e desenhos que respiram mar e luz — não são meras descrições: as linhas do mar, o céu e suas nuvens, o carrubo e o pequeno amendoeira, a lua matinal sobre o mar de Punta Corvo e a presença frágil do ibisco transformam-se em memória, duração e silêncio. É como se cada traço guardasse o perfume dos vinhedos da Sicília e a textura do tempo nas paredes de Scicli — cidade natal de Guccione.

O percurso expositivo, cuidadosamente curado em colaboração com o Archivio Piero Guccione e com o apoio de Intesa Sanpaolo, inclui também um pastel intitulado La processione dello stivale, criado por Guccione para um conto de Camilleri, além de uma seção em vídeo que traça a vida e a pesquisa do pintor.

Nascido em 1935 em Scicli e transferido para Roma em 1954, Piero Guccione construiu uma obra marcada pela contemplação do mar e pela atenção às coisas pequenas, aquelas que o nosso olhar normalmente ultrapassa. Aqui, a natureza é voz: o movimento das ondas, o brilho da lua, o sopro da planta que vive e morre — e nós aprendemos a ouvir.

Esta mostra curta, quase um sussurro, é uma oportunidade rara para se deixar tocar pelo universo de Guccione: uma experiência que pede calma, Dolce Far Niente, e o prazer de observar como quem lê um segredo à beira-mar. Andiamo, que a cidade eterna oferece esses pequenos milagres de encontro entre literatura e imagem.

Informações práticas: a exibição é temporária e acontece na sede romana do Fondo Andrea Camilleri; a iniciativa é fruto do desejo familiar de homenagear um artista querido e reafirma o laço profundo entre a Sicília e a sua diáspora cultural em Roma.

Se você puder, vá com tempo — sente-se diante do papel, deixe a luz dourada tocar as superfícies e permita-se navegar pelas tradições que Guccione tão poeticamente traduz em cor e silêncio.

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