Naro, na Sicília, oferece casas por 1€ para reviver o centro histórico e atrair novos moradores
Naro, na Sicília, vende casas por 1€ para restaurar seu centro histórico; saiba como funciona o programa e quais custos acompanharão o comprador.
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Naro, na Sicília, oferece casas por 1€ para reviver o centro histórico e atrair novos moradores
Quanto vale um euro quando o que se busca é um refúgio entre ruas de pedra, o perfume dos vinhedos e o silêncio carregado de história? Em Naro, uma vila medieval no sudoeste da ilha, mesmo o valor de um café expresso pode abrir a porta de uma nova vida italiana. Naro, na província de Agrigento, juntou-se ao movimento de localidades italianas que vendem casas por 1 euro com o objetivo de devolver alma ao centro histórico e combater o despovoamento.
A iniciativa, aprovada pelo Comune di Naro, está aberta a cidadãos italianos e estrangeiros — desde que cumpram os requisitos locais para aquisição e manutenção da propriedade. Os interessados podem submeter candidaturas por meio da plataforma online Case 1 Euro Naro, disponível em várias línguas, que orienta passo a passo quem deseja transformar uma ruína em lar ou em projeto cultural.
Por que apostar em Naro? A plataforma ressalta uma identidade forte: arquitetura com traços barrocos, o imponente Castelo Chiaramontano, a Porta d’Oro — herança do século XIII — e paisagens do interior que se estendem até as ligações com Agrigento e a costa sul. É uma proposta que mistura história e oportunidade: restaurar para reviver, trazendo turismo local e novas histórias para suas praças.
Claro que há condições. Nem toda oferta é a imagem de um cartão-postal: os anúncios consultados indicam imóveis “a necessitar de obras”, incluindo uma moradia de três quartos com vista para a zona urbana histórica que precisa de inspeção. Além do euro simbólico, o comprador arca com custos de notário, taxas de registo e impostos cadastrais. Também é sua responsabilidade financiar o projeto de restauro, garantir que o imóvel atenda às normas de segurança e às regras de ordenamento paisagístico e urbano, e cumprir prazos prováveis para conclusão das obras.
O processo não é necessariamente simples, mas é uma aventura para quem busca um recomeço com poesia e mãos à obra. Há exemplos de sucesso: George Laing, que se autodenomina “comprador de casas de 1 euro”, assegurou a terceira propriedade desse tipo em junho, mostrando que o sonho é possível para quem se dedica ao restauro.
Mesmo para quem não pretende comprar, Naro merece uma visita. Após um deslizamento em 2005, jovens artistas transformaram fachadas em arte viva, criando o museu a céu aberto MAN — um conselho meu, Andiamo: caminhe sem pressa, deixe-se surpreender pelas cores e texturas que emergem das paredes. E não perca a Porta d’Oro, testemunha de séculos e portal para o Dolce Far Niente local.
Se sonha em saborear a história com os cinco sentidos, restaurar um pedaço da Sicília e sentir a luz dourada sobre terraços antigos, Naro oferece, por um euro simbólico, a possibilidade de um novo capítulo. É um convite a cuidar, reconstruir e, acima de tudo, pertencer.

