Laura Lunetta sob investigação na Federdanza: a presidente que resiste ao pedido de afastamento

Laura Lunetta é investigada por suposta fraude na Federdanza; pedido de afastamento foi recusado e o commissariamento se aproxima.

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Laura Lunetta sob investigação na Federdanza: a presidente que resiste ao pedido de afastamento

Por Aurora Bellini — Em um capítulo que ilumina fissuras e responsabilidades no esporte italiano, Laura Lunetta, líder de destaque na política esportiva nacional, enfrenta uma investigação por suposta frode esportiva na Fidesm (Federdanza). O pedido de recuo feito pelo presidente do Comitê Olímpico Nacional, Luciano Buonfiglio, foi recusado por Lunetta; o cenário agora aponta para um possível commissariamento da federação.

Romana de 54 anos, Laura Lunetta construiu um percurso raro entre présidios esportivos: ex-bailarina de bom nível, instrutora, árbitra, formada em biologia com mestrado em engenharia industrial, pesquisadora em ciências do movimento e professora contratada na Universidade de Tor Vergata, com cerca de dez publicações acadêmicas. É a única mulher à frente de uma federação esportiva de seu porte, e sua trajetória tornou-se referência — e alvo — na paisagem do esporte italiano.

Descoberta e apoiada por Giovanni Malagò, Lunetta assumiu interinamente a conturbada Fidesm em 2021, tornou-se presidente em 2022 e iniciou o segundo mandato em 2024. Ambiciosa em suas responsabilidades institucionais, em 2025 ela apoiou Buonfiglio na corrida pelo Coni, garantindo não só um assento na Giunta mas também a chefia do Departamento de Pari Opportunità do Comitê — a função que deveria defender a equidade de gênero em um ambiente ainda marcado por desigualdades.

Reconhecida por sua presença ativa — documentada por uma coleção extensa de selfies e encontros institucionais —, Lunetta promoveu ainda um retorno controverso: a reaproximação com Ferruccio Galvagno, fundador histórico da federação. Galvagno, figura com passagens por acusações graves e afastamento formal, teria atuado nos bastidores nos últimos quinze anos. Segundo investigadores — ressalte-se, são alegações ainda não provadas —, Galvagno e Lunetta teriam trabalhado juntos para alterar resultados de competições, e ao fundador teria sido reservado um papel de presidente “sombra” com contrato considerado significativo.

Outro ponto sensível envolve declarações homofóbicas atribuídas a Galvagno durante um congresso federativo alguns meses atrás. A ausência de medidas por parte de Lunetta, titular do departamento de igualdade, surpreendeu observadores e deixou um vazio ético difícil de ignorar.

Nos últimos dias, Lunetta não compareceu à Giunta do Coni que discutia temas espinhosos — como os commissariamentos do cricket e do pentatlo moderno e a crise na atletica leggera. Em comunicado, o presidente Buonfiglio afirmou que a dirigente teria tirado “uma pausa de reflexão de dois ou três dias” e não estaria presente. Fontes da Espresso Italia informam que Buonfiglio solicitou formalmente a Lunetta um passo atrás, pedindo que ela renunciasse temporariamente às funções enquanto o caso é apurado.

Na aurora deste momento institucional, é essencial distinguir entre denúncia e condenação: as acusações permanecem sujeitas a investigação e eventual prova. A luz sobre os procedimentos e a transparência exigida nas federações esportivas deve servir para semear normas mais fortes, não apenas para punir, mas para recuperar confiança e cultivar um ambiente no qual o esporte brilhe com integridade.

Enquanto a investigação avança, o futuro da Fidesm e da própria figura de Laura Lunetta se coloca como um teste de responsabilidades coletivas: uma oportunidade para iluminar novos caminhos, fortalecer estruturas e reafirmar valores que sustentam o legado do esporte.