Irene Tinagli: Europa vai mobilizar mais fundos e facilitar acesso para enfrentar a crise da habitação
Irene Tinagli: UE mobilizará mais fundos e facilitará acesso para enfrentar a crise da habitação, apoiando classe média e cooperativas.
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Irene Tinagli: Europa vai mobilizar mais fundos e facilitar acesso para enfrentar a crise da habitação
Irene Tinagli, presidente da Comissão especial sobre a crise imobiliária no Parlamento Europeu, afirmou em entrevista que a União Europeia deve concentrar esforços em duas frentes para enfrentar a crise da habitação: aumentar a disponibilidade de recursos e tornar esses recursos mais acessíveis para além das camadas mais vulneráveis, alcançando também a classe média. A comissão foi instaurada em dezembro de 2024 e vem trabalhando em propostas técnicas para atuar em elementos de competência europeia, sem invadir as atribuições nacionais.
Segundo Tinagli (PD), a questão não é apenas a oscilação de preços: há uma clara insuficiência da oferta. “São dois os aspetos da emergência casa a ter em conta: a necessidade de habitações a custos acessíveis não apenas para os mais frágeis, mas também para a classe média, e a falta de uma oferta adequada. Não é só uma questão de preços”, declarou.
Na entrevista, a parlamentar reiterou que as políticas de habitação permanecem competência dos Estados-membros. “São e continuam a ser competências nacionais, portanto nós, de Bruxelas, não vamos dizer o que, como e onde os governos nacionais devem fazer. Mas tentamos atuar sobre alavancas de competência europeia”, explicou.
Entre as medidas que a UE pode tomar, Tinagli citou a revisão das regras de auxílios estatais para permitir que governos e administrações locais subsidiem projetos voltados também à classe média; a facilitação do acesso a fundos europeus; e a disponibilização de instrumentos financeiros via Banco Europeu de Investimento, como garantias que favoreçam o acesso a crédito por cooperativas e outras entidades que atuam no setor habitacional.
Essas propostas visam reduzir barreiras financeiras e operacionais que hoje restringem iniciativas que poderiam ampliar a oferta de moradias a custos controlados. “São coisas que se podem e se devem fazer e são muito úteis”, afirmou Tinagli, numa fala que combina diagnóstico técnico com propostas de intervenção na esfera europeia.
A Comissão Europeia apresentou um plano sobre housing em dezembro, mas deixou para 2026 a definição de regras específicas sobre aluguel de curta duração. Tinagli relatou que dezenas de prefeitos solicitaram maior clareza e instrumentos, porque muitas cidades, diante da inação dos governos centrais, foram deixadas sozinhas e correm riscos ao agir isoladamente. Um quadro regulatório europeu, segundo ela, reduziria a fragmentação normativa entre municípios e Estados-membros.
Sobre o debate político, Tinagli reconheceu diferenças de sensibilidade entre grupos parlamentares: os socialistas pedem mais investimento público para fragilizados e classe média; os populares enfatizam a simplificação para acelerar a construção; Renew aponta distorções de mercado que exigem correções. “Não pode haver uma resposta única, porque a realidade no Norte é diferente da do Sul”, disse.
Do ponto de vista jornalístico, a posição de Tinagli traduz um esforço de cruzamento de fontes e diagnóstico técnico: identificar medidas europeias compatíveis com a proteção das competências nacionais, enquanto se tenta maximizar o impacto de fundos e instrumentos financeiros. A aposta é em soluções que combinem regulação, financiamento e apoio direto a atores locais para aumentar a oferta e tornar a moradia mais acessível.
Data da declaração: 7 de abril de 2026.