Princesa Kate em Reggio Emilia: de avental e tortellini para estudar o método pedagógico
Princesa Kate visita Reggio Emilia, cozinha tortellini e estuda o método pedagógico de Loris Malaguzzi pela Royal Foundation.
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Princesa Kate em Reggio Emilia: de avental e tortellini para estudar o método pedagógico
Antes de retornar ao Reino Unido, a princesa Kate do País de Gales vestiu o avental e assumiu o papel de rezdòra — termo dialetal que identifica as cozinheiras caseiras da tradição reggiana. A visita aconteceu no agriturismo 'Al Vigneto', em Barbiano di Felino, nas colinas de Parma, onde a princesa foi recebida por moradores e por quem participou das atividades organizadas em Reggio Emilia nos dias 13 e 14 de maio de 2026.
Segundo a agenda divulgada pela organização, a presença da princesa Kate tinha o objetivo de "refletir sobre a visita e celebrar as conexões entre gerações, passando tempo com famílias locais, participando da preparação do almoço e observando a transmissão de valores entre gerações". Depois de um forte temporal pela manhã, o sol abriu e permitiu o encontro ao ar livre — até que o vento obrigou uma alteração no cronograma e o almoço foi transferido para o interior.
Na prática, a princesa participou ativamente da cozinha: "vai preparar um recheio de ricota fresca e acelga", informou o chef responsável. O cardápio incluiu uma seleção de antepastos com os salames e o Prosciutto di Parma, servidos com a tradicional torta fritta (ou gnocco, na variante reggiana), além de um trio de vinhos locais — Lambrusco, Spergola e Malvasia. "Para mim é um enorme honrar; ainda custa crer. Mas é também uma grande responsabilidade cozinhar para a princesa", disse o cozinheiro, em declaração recolhida durante a visita.
A estada da princesa em Reggio Emilia faz parte de uma missão oficial em representação do Royal Foundation Centre for Early Childhood, criado por ela em 2021. O objetivo declarado é estudar o método pedagógico de Reggio Emilia — desenvolvido por Loris Malaguzzi no pós-guerra e reconhecido internacionalmente por valorizar criatividade, autonomia e o papel da comunidade na educação infantil — e iniciar uma série de viagens globais para ampliar a atuação da fundação em bem-estar infantil e educação precoce.
Ao longo da visita, Kate conheceu o Centro Internacional Loris Malaguzzi, frequentou escolas de infância e dialogou com especialistas locais. Ela já viveu na Itália por três anos quando era estudante, o que alega ter reforçado seu vínculo com o país; Reggio Emilia foi escolhida precisamente por sua reputação mundial no campo educativo. A viagem é também a primeira visita oficial desde a sua recuperação do câncer, e ocorreu sem a presença do príncipe William.
No Centro Remida — projeto que reaproveita sucata industrial como recurso pedagógico — a princesse interagiu com crianças que manipulavam materiais reciclados transformados em objetos de aprendizagem. "Com a imaginação de uma criança, um velho engrenagem pode virar um arbusto; um anel de latão, uma colher; e tubos de ventilação, um verme macio para equilíbrio", descreveu-se à margem da atividade. Foi ali, entre risos infantis e atenção comunitária, que Kate se mostrou didática e afetuosa: participação prática e observação técnica, pela mesma lógica do método que veio estudar.
Ao final do dia, com previsão de voo da cidade de Parma no período vespertino, a princesa Kate encerrou o ciclo de encontros em Reggio Emilia com agradecimentos formais aos organizadores e às famílias locais. A visita deixou de concreto o interesse da Royal Foundation em aprofundar a conexão entre políticas públicas de infância e práticas pedagógicas comunitárias consagradas pelo modelo de Malaguzzi.
Apuração in loco, cruzamento de fontes institucionais e relatos de participantes locais compõem o quadro factual desta cobertura: a realidade traduzida sem ruído, com foco nas ações e nas intenções públicas que motivaram a estada da princesa Kate em solo italiano.