Adriano Cappellari admite ter colocado a bomba em frente à própria casa e pede desculpas

Jornalista Adriano Cappellari admite ter colocado bomba em frente à própria casa; investigação apura simulação de crime e fraudes em Vicenza.

Adriano Cappellari admite ter colocado a bomba em frente à própria casa e pede desculpas

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Adriano Cappellari admite ter colocado a bomba em frente à própria casa e pede desculpas

Vicenza — Adriano Cappellari, o jovem repórter de Enego (Vicenza) até então apontado como vítima de uma sequência de ameaças e de um ataque incendiário ocorrido em maio, confessou integralmente ter sido o autor do episódio. A admissão foi formalizada em uma carta entregue hoje à promotora Alessia Grenna, na presença de seu advogado, Roberto Rigoni Stern.

Na missiva, segundo fontes da apuração in loco, Cappellari escreveu que muitas pessoas «me acreditaram, me defenderam e sofreram comigo. A todos peço sinceramente perdão, porque traí a sua confiança». A declaração marca uma reviravolta no caso que mobilizou as autoridades locais e gerou ampla repercussão.

O episódio central ocorreu em 30 de maio, quando os militares da Arma de Enego responderam a um chamado na residência do jornalista, após a detonação de um artefato que causou um incêndio com danos também às casas vizinhas. As chamas foram contidas pelos bombeiros; nas imagens registradas por Cappellari com seu smartphone, é possível ver os socorristas em ação.

Imagens do sistema de videomonitoramento da família mostram uma pessoa trajando roupa que cobria o corpo e o rosto não identificável: essa pessoa teria arremessado uma busta dentro da propriedade e colocado, junto ao acesso pedestre, um invólucro com material incendiário e explosivo — descrito nas apurações como latas de gás de campismo, recipientes plásticos contendo álcool, uma jerrican com líquido inflamável e elementos pirotécnicos. A envelope continha ainda três folhas com ameaças de morte escritas em caixa alta e tinta vermelha dirigidas ao próprio jornalista, ao primeiro‑ministro Giorgia Meloni e ao sacerdote don Maurizio Patriciello, acompanhadas de fotos com os rostos circulados e marcados com um X.

Antes desse atentado, Cappellari havia registrado três ocorrências por ameaças na delegacia de Bassano del Grappa — em 5 de novembro de 2025, 11 de dezembro de 2025 e 16 de fevereiro de 2026. Na primeira denúncia, relatou ter recebido uma carta branca com texto datilografado contendo ameaças e uma fotocópia de um artigo de sua autoria sobre don Patriciello; correspondência semelhante também chegou à redação do quinzenário onde trabalhava.

Em dezembro, uma nova envelope sem selo chegou com três cartuchos calibre .22 e quatro folhas com frases ameaçadoras e fotos das mesmas pessoas — material que, segundo o relatado, teria sido encontrado pelo pai do jornalista.

No último dia 29 de julho, a procura de Vicenza abriu investigação contra Cappellari, atribuindo-lhe crimes que, conforme os autos, incluem incêndio, calúnia e simulação de crime continuada, além de procurado alarme e fraude contra entidade pública. Em cumprimento a despacho dos promotores vicentinos, os Carabinieri de Bassano del Grappa realizaram mandados de busca pessoal, domiciliar e informática.

A admissão por escrito colocará no centro do inquérito as motivações e a sequência de ações que levaram um repórter local a produzir as próprias ameaças e o artefato. A investigação agora concentra esforços em cruzar evidências, transcrições das declarações e material digital para reconstruir cronologicamente os fatos e as responsabilidades penais.

Este é o relato dos fatos brutos apurados até o momento; novas atualizações serão divulgadas conforme o andamento das diligências e o pronunciamento formal da promotoria.