Asia Scannella, a primeira mulher blender nas Manifatture Sigaro Toscano: o ofício do tabaco em mãos femininas
Asia Scannella é a primeira mulher blender nas Manifatture Sigaro Toscano: ofício sensorial do tabaco assumido em um setor masculino.
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Asia Scannella, a primeira mulher blender nas Manifatture Sigaro Toscano: o ofício do tabaco em mãos femininas
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Em um setor historicamente masculino, surge uma exceção que traduz mudança estrutural: Asia Scannella, com menos de 30 anos, é hoje junior blender nas Manifatture Sigaro Toscano (MST) e prepara-se para tornar-se master blender. A informação foi confirmada por fontes internas da empresa e por entrevistas diretas com a profissional.
Asia entrou na MST há dois anos. Inicialmente contratada como operária de confeccionamento em linha automática, sua formação em técnica agropecuária e a inscrição no registro profissional com especialização em "agricultor 4.0" foram fatores que atraíram a atenção da direção técnica. "Não planejei entrar nesse papel, mas sempre quis trabalhar em contato com a natureza e criar produtos", disse ela em entrevista, descrevendo a transição do ambiente rural para as fábricas.
O percurso de treinamento foi conduzido, segundo apuração, pelo blender sênior Matteo Roscioli, que desde as primeiras semanas levou Asia aos campos de tabaco para acompanhamento da cultura: manejo, época de colheita e seleção de sementes. O trabalho, explica Roscioli, exige conhecimento da planta em todas as suas fases e a capacidade de traduzir essas características em misturas com equilíbrio sensorial.
Asia concentra hoje estudos sobre a planta do tabaco Kentucky, distinguindo as folhas que irão compor o recheio, o binder (capote) e a capa. "É preciso entender qual folha dará corpo ao recheio, qual providenciará a consistência do capote e qual favorecerá a apresentação e aroma da capa", afirma a jovem blender, que traz na bagagem experiência em adegas vitivinícolas — fator que, segundo ela, deu vantagem no treino do paladar e na identificação de notas aromáticas.
O papel do blender é descrito por Asia como um ofício dos sentidos: "O objetivo é estimular os cinco sentidos". A avaliação da miscela, diz, passa essencialmente pelo olfato e pelo contato tátil com a folha para identificar nível de fermentação, textura e cor. O teste inclui também o degustar do tabaco — com particular atenção para a combustão e o tiro (a passagem de fumaça) — características que diferenciam o produto final.
Fontes internas destacam que, na Itália, poucas mulheres tiveram acesso às funções técnicas que transformam o ato de fumar em profissão. A ascensão de Asia representa, portanto, uma mudança concreta: não mais apenas uma consumidora — como foram, historicamente, figuras como Marlene Dietrich ou ícones pop —, mas uma protagonista na linha de produção e elaboração do Sigaro Toscano, produto de forte identidade italiana.
O tempo de formação de um blender é variável. "Depende do empenho, da curiosidade e da prática contínua", resume Asia. Seu cardápio de treino inclui semanas de campo, análises sensoriais repetidas e sessões de blendagem supervisionadas. Para a MST, a presença feminina em posições técnicas abre uma nova fase de recrutamento e formação, segundo interlocutores na área de recursos humanos.
Este relato foi verificado por entrevista direta com Asia Scannella e por confirmação das atividades de mentoria realizadas por Matteo Roscioli. A reportagem segue monitorando o desenvolvimento da profissional e as possíveis implicações dessa trajetória para o setor do sigaro na Itália.


